O presidente estadual do PT, Tassio Brito, cobrou, nesta quinta-feira (17), que o ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), abra voluntariamente seus sigilos bancário e fiscal para esclarecer os pagamentos recebidos de empresas ligadas ao Banco Master. O dirigente petista também defendeu que as investigações relacionadas ao banco tenham o mesmo grau de publicidade quando envolverem políticos de diferentes grupos.
A manifestação ocorreu após a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir acesso a autos relacionados às apurações envolvendo ACM Neto no caso Master. O pedido questiona a manutenção de informações sob sigilo e estabelece uma comparação com a divulgação de elementos da investigação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT). Ao justificar a cobrança, Tassio afirmou que os mesmos critérios adotados em relação ao petista deveriam ser aplicados ao ex-prefeito de Salvador.
“Nós queremos que as coisas funcionem do mesmo jeito para os dois lados. Vocês vão lembrar que quando teve a investigação sobre o senador Jacques Wagner, primeiro teve o vazamento seletivo, depois teve a operação, busca e apreensão. O senador não tem um centavo de real do Banco Master na conta dele, mas foi feita toda uma espetacularização. Já o ex-prefeito ACM Neto, que recebeu milhões de reais na conta dele do Banco Master, e que ele próprio assumiu que recebeu, disse que prestou a consultoria e que tem diversas citações a ele, não é alvo de nada e mais do que isso: o processo dele corre sob sigilo”, afirmou.
Ao comentar a petição apresentada ao Supremo, o dirigente afirmou que o objetivo é obter o mesmo nível de acesso aos procedimentos relacionados aos diferentes políticos citados nas apurações. “Então, quando peticionamos ao STF foi pra dizer que não estamos querendo nada diferente para ninguém. O que nós queremos é que da mesma forma – nós estamos no meio de um período eleitoral – que vai divulgar os dados de uma investigação em curso referente a um lado, divulgue o outro também”, apontou.
“A não ser que o outro não seja investigado. A não ser que sobre o outro, obviamente, não se tenha nada. Mas vimos a referência da proposta de delação de Vorcaro sobre os dez porcento que supostamente ele cobrava. E não é um indício, é o fato concreto que ACM recebeu dinheiro do Banco Master, que ele alega ter sido uma consultoria. Então, acho sempre lamentável quando chegamos perto de uma eleição e as coisas se misturam – no meu entender, como cidadão, era melhor que o ambiente fosse outro -, mas se o ambiente está desse jeito, deve haver igualdade. Não dá para ser: ‘para uns, isso e para outros, aquilo”, complementou.

