A Polícia Federal arquivou, nesta quarta-feira 7, uma investigação preliminar sobre uma possível interferência do governo americano nas eleições brasileiras. No domingo 4, dia do primeiro turno, o diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, afirmou que o procedimento teve início após uma representação da Advocacia-Geral da União.
Segundo informações veiculadas pelo site Carta Capital, o departamento jurídico do governo federal pediu à PF e ao Ministério Público Federal a imediata apuração de um suposto financiamento de uma agenda de extrema-direita no Brasil pelo governo dos Estados Unidos. A ação teve origem em uma atuação da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, motivada por revelações trazidas pela imprensa internacional.
A denúncia se baseou em uma reportagem veiculada em setembro pelo jornal britânico The Guardian, intitulada “Governo Trump desvia recursos destinados aos direitos humanos para promover uma agenda de extrema direita no exterior”.
Segundo a acusação, os recursos teriam como finalidade financiar e garantir a manutenção de organizações e grupos da sociedade civil que atuariam contra a institucionalidade do Poder Judiciário brasileiro, sob a justificativa de combater uma suposta extrapolação das funções judiciais e casos de censura atribuídos ao Supremo Tribunal Federal.
Entretanto, ao arquivar a investigação sobre uma possível interferência estrangeira, a Polícia Federal informou não ter encontrado elementos suficientes que comprovassem a existência de ilícitos ou que demonstrassem que o governo de Donald Trump tenha interferido no processo eleitoral brasileiro. Segundo apuração feita pela reportagem da Carta Capital, a denúncia da AGU não chegou a resultar na abertura de um inquérito propriamente dito.
A decisão da PF acontece três dias após o primeiro turno das eleições. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) terminou a apuração em primeiro lugar, alcançando 47,03% dos votos enquanto Lula (PT) atingiu 45,16% dos votos.

