Por Anderson Luis
Em sessão ordinária na Câmara Municipal de Salvador desta terça-feira (16), os líderes da oposição e governo entraram em um embate sobre a privatização de terrenos na capital baiana. Na tribuna, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) falou pela oposição ao questionar o direito do prefeito Bruno Reis (União Brasil) de liquidar patrimônios na capital. Em resposta, o parlamentar Kiki Bispo (União Brasil) cobrou transparência da base governista estadual sobre o destino de áreas abandonadas.
A líder da oposição na Casa discursou sobre as tentativas de leiloar o Morro do Ipitanga e de Pituaçu no início do ano e destacou o embargo dessas vendas devido à pressão exercida pelo Legislativo Municipal e Judiciário. “Estamos observando na gestão de Bruno Reis esse movimento de abrir mão do patrimônio da cidade, que começou no governo ACM Neto, com a desafetação e venda de áreas verdes. E com Bruno isso ampliou muito. No primeiro semestre, lembramos o número de leilões de áreas verdes feitos nessa cidade, que alguns deles foram derrubados por nós, os vereadores e vereadoras que se importam com a questão climática e defesa do meio ambiente”, disse.
Aladilce também mencionou estudo feito pela Prefeitura de Salvador para conceder à iniciativa privada a gestão da Praça Thomé de Souza, considerada por historiadores a primeira praça do Brasil. Segundo ela, Bruno Reis estaria tentando “entregar” o meio ambiente presente na cidade para a gestão privativa.
”O Brasil começou nessa praça, a primeira praça de poder e pública do nosso país. E agora vem o prefeito Bruno Reis, ofendendo baianos e baianas, ao querer privatizar esse patrimônio. Isso é impensável, e tudo isso feito sem transparência e debate”, argumentou.
Aladilce também citou a privatização do Elevador Lacerda, que ganhou um cerimonial para eventos, e acusou falta de transparência por parte do gestor municipal na decisão. “Essas coisas acontecem debaixo do nosso nariz sem ninguém ser consultado, eu fico indignada com isso, com essa falta de transparência.”
O vereador Kiki Bispo, líder do governo na Câmara, sucedeu Aladilce na tribuna e cobrou debate da base governista estadual, da qual Aladilce faz parte, na determinação do destino do Centro de Convenções da Bahia (CCB), Colégio Estadual Odorico Tavares, além da antiga sede do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) — que seguem sem determinação.
“A líder da oposição falou muito em ‘debate’, mas eu quero saber do governador Jerônimo Rodrigues, governo do qual Aladilce faz parte, onde está a discussão. Pois eu quero opinar sobre o destino da escola Odorico Tavares, que foi fechada para o capital especulativo. Porque, nesse caso, eu votarei contra”, afirmou Kiki.
Ele também defendeu a venda de espaços na cidade sob condição de que haja retorno em melhorias para a população. ”Eu tenho uma posição bem clara: se o local não tem serventia, ele pode ser vendido pelo governo do Estado ou prefeitura para reinvestir em outros cantos da cidade.”
Kiki Bispo também disse que Jerônimo teria fechado esses locais para favorecer o “capital especulativo”.
“Cadê esse fórum que Vossa Excelência deve participar à portas fechadas, me impedindo de opinar junto ao povo dessa cidade. Precisamos ter coerência na nossa fala, por isso eu quero uma cópia dessa taquigrafia para quando essas áreas forem leiloadas pelo Estado. Assim eu irei questionar a opinião da líder da oposição desta Casa. Vou guardar o discurso de Aladilce e quero ver a sua posição”, completou.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

