O jato particular usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), para seguir rumo aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial foi fornecido por Jason Miller, integrante da equipe de comunicação da Casa Branca e aliado do presidente Donald Trump. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) pelo jornal The New York Times.
Segundo o jornal, Trump autorizou a entrada de Flávio no país. O senador deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a entrega do passaporte à Polícia Federal, que não foi cumprida, causando o cancelamento do documento.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, manteve contato com Miller durante a organização do deslocamento, de acordo com a reportagem. Autoridades norte-americanas ouvidas pelo jornal sob reserva afirmaram que Trump garantiu a entrada de Flávio e de familiares no país por meio de uma autorização temporária de permanência, conhecida como “parole”.
Flávio, sua esposa e as duas filhas seguiram da Argentina para Guayaquil, no Equador, em um avião da empresa privada Baires Fly, e depois viajaram a Miami, onde chegaram na quarta-feira 28. Segundo o NYT, registros públicos do governo Trump indicam que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro já cancelado ao entrar no país.
Uma autoridade norte-americana disse ao jornal que o senador deverá solicitar um green card, documento que concede residência permanente nos EUA. Segundo a fonte, o pedido poderá ser processado de forma acelerada, como ocorreu com Eduardo.
A Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída do senador do Brasil, incluindo a rota percorrida desde Brasília até a fronteira com a Argentina e a possível participação de empresários e aliados políticos na logística.
Após chegar a Miami, Flávio publicou uma carta de teor golpista na qual afirma ter sido vítima de uma “fraude eleitoral”, sugerindo ainda ter recebido ajuda dos presidentes da Argetina e dos Estados Unidos, para fugir do Brasil.

