O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou que permanecerá na disputa até o primeiro turno, marcado para domingo (4), apesar da pressão para que retire a candidatura e apoie Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao portal Plox, em Ipatinga (MG), nesta terça-feira (29), o ex-governador mineiro disse ter compromissos com o partido e com seus apoiadores e descartou abandonar a corrida na reta final.
“Irei até o último minuto. Tenho compromisso com o meu partido, com os meus apoiadores […] e comigo mesmo. Eu nunca desisti de nada. Eu acho que você sair de campo antes do juiz apitar é meio esquisito”, disse.
A declaração ocorreu após Zema ser questionado sobre uma nova tentativa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de convencê-lo a deixar a disputa. Segundo informações divulgadas nesta semana, o parlamentar procurou o candidato para defender uma concentração de votos em Flávio no primeiro turno.
Zema, no entanto, não confirmou nem negou diretamente a conversa com Nikolas durante a entrevista. Em vez disso, reforçou que pretende cumprir os compromissos assumidos desde o início da campanha. “Nós estamos aí na reta final da campanha presidencial. […] Eu tenho compromissos assumidos com o meu partido, com muitos apoiadores e […] eu sempre levei tudo até o final”.
A pressão sobre Zema se intensificou nos últimos dias em meio à tentativa de aliados de Flávio de concentrar o eleitorado de direita em torno do candidato do PL. Nikolas já havia procurado o ex-governador anteriormente. Em agosto, o deputado sugeriu que Zema deixasse a disputa presidencial e concorresse ao Senado por Minas Gerais. O candidato do Novo analisou a proposta, mas decidiu manter a candidatura ao Palácio do Planalto.
Na reta final da campanha, a articulação passou a envolver um eventual apoio direto a Flávio ainda no primeiro turno. Integrantes do próprio Novo também aderiram ao movimento. Candidatos da legenda em Minas Gerais, São Paulo e no Distrito Federal anunciaram voto em Flávio, apesar de Zema continuar como candidato oficial do partido à Presidência.
O ex-governador liberou integrantes da sigla para manifestarem apoio a outros presidenciáveis, decisão tomada enquanto ele próprio mantém a candidatura. Em meio às articulações, Zema afirmou que pretende continuar apresentando as propostas e os posicionamentos do Novo até a votação. “Então eu vou encerrar essa minha trajetória levando adiante as minhas propostas, os meus princípios, valores e também do Partido Novo […]”.
Apesar de rejeitar a retirada da candidatura neste momento, Zema indicou que espera uma convergência entre os grupos de direita caso a eleição presidencial tenha segundo turno. “Então irei até a reta final e tenho certeza que, no segundo turno, nós da direita estaremos todos juntos contra o PT”.
Questionado sobre integrantes e apoiadores do Novo que decidiram votar em Flávio já no primeiro turno, Zema afirmou encarar as movimentações com naturalidade. “Eu encaro isso, com muita naturalidade […] Em política, esse tipo de questão é extremamente comum”.
O candidato argumentou que alianças eleitorais podem assumir configurações diferentes em cada Estado e que apoios locais nem sempre seguem integralmente as divisões estabelecidas na disputa nacional. “Nós temos aí, inclusive, o Centrão, o PSD, que, por incrível que pareça, em alguns estados apoia o PT, em outros estados apoia o PL. Então dá para ver que as coisas não são tão preto no branco na política. […] Depois que eu entrei, eu vi que tem muitas zonas cinzentas”.

