O Nordeste concentra 60% de todo o semiárido brasileiro e recebe apenas 15% dos recursos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o programa federal que financia crédito para agricultura familiar. A distância entre os dois números define o problema: a região que mais precisa de política de convivência com a seca é a que menos recebe instrumento para enfrentá-la.
Para o candidaro a reeleição só Senador Federal, Angelo Coronel (PL), o desequilíbrio não é novo, mas ganha outro peso quando confrontado com o discurso eleitoral do PT na Bahia. É a região que historicamente sustenta vitórias petistas nas urnas, e que segue tratada como prioridade retórica, não orçamentária.
O senador transformou este diagnóstico em PL antes de qualquer discurso de campanha. O PL 1389/2026 estabelece diretrizes para direcionar crédito rural e instrumentos de gestão de risco para produtores do semiárido, com foco em adaptação às condições climáticas da região e o PL 3309/2026 cria a Política Nacional de Desenvolvimento Produtivo do Semiárido Brasileiro e o Programa Sertanejo Vencedor, com eixos em segurança hídrica, agropecuária adaptada à seca e fortalecimento de pequenos produtores, sem despesa obrigatória nova, com uso de fundos constitucionais e regionais já existentes.
Coronel ressaltou que não seria o caso de reclamar do PT por reclamar, mas de mostrar que existe alternativa legislativa pronta para um problema que a gestão estadual e federal conhecem há décadas e nunca resolveram. Quanto aos problemas relacionados a seca, Coronel acredita que a solução não seria pautada em discurso de vitória eleitoral repetido a cada quatro anos, mas sim através de crédito, seguro, água e infraestrutura. Para ele, o que falta ao semiárido baiano não é atenção em ano de eleição, é política pública fora desse foco.

