Em sua delação no inquérito do golpe, o ex-ajudante de ordens da Presidência, tenente-coronel Mauro Cid, revelou que o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) sugeriu ao então presidente Jair Bolsonaro que o Exército pegasse uma urna eletrônica sem autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo Cid, o parlamentar teria argumentado que, devido à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), as Forças Armadas poderiam realizar testes de integridade nas urnas sem a necessidade de permissão do TSE ou de qualquer instância judicial. No entanto, o ex-presidente Bolsonaro não endossou essa proposta, de acordo com o depoimento de Cid.
Cid ainda detalhou que Heinze usava um documento do Ministério Público Militar para justificar a ação, que foi repassada ao ministro da Defesa da época, Walter Braga Netto. A sugestão gerou controvérsia, especialmente porque a ideia de apreensão de urnas sem autorização legal levantou suspeitas sobre a legitimidade do processo eleitoral de 2022. A delação do militar foi um desdobramento das investigações que envolvem tentativas de fraudar ou questionar os resultados das eleições passadas.
Em resposta às acusações, a assessoria do senador Heinze negou categoricamente a sugestão de confiscar ou sequestrar urnas, afirmando que o parlamentar jamais cogitou tal ação. Em uma nota oficial, o senador alegou que, após as eleições de 2022, ele apenas buscou esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral por meio dos mecanismos legais, com base na responsabilidade pública de fiscalizar as ações do governo. O episódio, que envolve figuras-chave do governo Bolsonaro, segue gerando repercussão e levantando questionamentos sobre as tentativas de minar a confiança nas urnas eletrônicas e nos resultados das eleições.

