O ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT), defendeu, nesta sexta-feira (11), mudanças na Constituição para ampliar a participação do governo federal na segurança pública. A proposta foi apresentada durante entrevista à rádio 95 FM de Jequié, onde o petista também relacionou o enfrentamento da criminalidade à educação e criticou a gestão do ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil).
Segundo Rui, o modelo de segurança não deve se limitar à atuação das polícias e à estrutura penitenciária. Para ele, a União precisa ter maior participação direta na área, o que dependeria de alterações constitucionais.
“Segurança não é só viatura, polícia e, no máximo, presídio. Segurança é algo muito maior. Eu vou atuar no Senado para mudar a Constituição e permitir que o governo federal atue mais diretamente na segurança”, apontou.
Na avaliação do candidato, a redução da criminalidade também passa por mudanças no sistema de Justiça e no sistema penitenciário. Rui defendeu uma atuação que, além do policiamento, enfrente o que considera falhas capazes de favorecer a impunidade. “A impunidade é irmã gêmea da criminalidade”, disse.
Ao abordar o tema, o petista citou situações em que pessoas condenadas por homicídio poderiam deixar a prisão em um período curto, atribuindo esse cenário à “fragilidade” da legislação.
Antes de tratar especificamente da segurança pública, Rui Costa afirmou que educação e combate à criminalidade estão diretamente relacionados. Para o candidato, políticas voltadas aos primeiros anos da formação escolar são importantes para a trajetória dos estudantes e também para o enfrentamento de problemas sociais no longo prazo.
Rui utilizou as críticas feitas por ACM Neto aos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para questionar a estrutura da educação municipal de Salvador durante o período em que o adversário esteve à frente da prefeitura.
“Tem ex-prefeito que critica o resultado do Ideb da rede estadual, mas desconsidera completamente um dado essencial: a base da educação. Não ofertou creche, não teve educação infantil adequada, a alfabetização foi tardia. Tudo isso o aluno leva para os próximos anos. Chega à rede estadual com fragilidades”, afirmou.
O candidato apresentou uma linha cronológica para sustentar a relação entre as etapas de ensino. Segundo ele, estudantes que passaram pela rede municipal durante a gestão de ACM Neto são os mesmos que hoje estão na rede estadual e enfrentam dificuldades de desempenho.
“O aluno que começou na escola quando ele era prefeito é o que está hoje com notas baixas no ensino estadual. Esse aluno precisava de creche e não teve. A educação infantil foi ofertada durante a gestão dele. Agora, esse jovem está no ensino médio e tem dificuldade de aprender, de tirar nota e de ter bom desempenho”, afirmou Costa.
Para Rui, a formação educacional começa nos primeiros anos de vida, período em que ocorre, segundo ele, o processo de “formar o ser humano”. A partir dessa perspectiva, o candidato defende que educação e segurança sejam tratadas como áreas relacionadas.
Na tarde desta sexta-feira (11), Rui participa de uma caminhada em Jequié, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do também candidato ao Senado, Jaques Wagner (PT). Ao falar sobre a agenda, Rui destacou a relação pessoal com o município e mencionou que sua esposa nasceu na cidade. O candidato também convocou os moradores para participar da atividade.
“Tenho um carinho especial pelo município, sempre fui recebido aí com muito carinho. Minha esposa é jequieense e convido a todos para caminhar conosco hoje”, afirmou.
Rui também defendeu a candidatura conjunta do chamado Time de Lula como estratégia para garantir a continuidade de investimentos em Jequié e nos municípios da região. “Temos um compromisso com o desenvolvimento do município e da região”, finalizou.
Na entrevista, o candidato citou ainda a construção de um novo campus da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) em Jequié. Segundo Rui, a implantação da unidade ocorreu por meio de uma iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele também afirmou que sua candidatura ao Senado tem como objetivo contribuir para a eventual continuidade do projeto político do presidente. “O meu nome está colocado para defender a Bahia e os baianos no Senado e para ajudar o presidente Lula a fazer o melhor de todos os governos que ele já fez”, disse.

