A candidata ao Senado pela Bahia, Professora Delliana Ricelli (PSOL), criticou, nesta quinta-feira (10), a mudança de posicionamento do ex-ministro e candidato ao Senado, João Roma (PL), em relação ao ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil). Em publicação nas redes sociais, Delliana resgatou declarações feitas pelo atual aliado durante a campanha de 2022, quando os dois eram adversários na disputa pelo Governo da Bahia.
Na avaliação da candidata, a mudança de tom entre as duas eleições levanta questionamentos sobre a coerência do discurso de Roma. Em 2022, o então candidato fez críticas ao ex-prefeito de Salvador e também ao grupo político do qual ACM Neto fazia parte. Agora, os dois integram a mesma chapa eleitoral.
Durante a disputa de quatro anos atrás, Roma chegou a questionar a forma como ACM Neto tratava sua identidade racial. Em um dos confrontos entre os candidatos, afirmou: “Nesses 20 anos de convivência, você nunca me falou que era negão”. Na sequência, perguntou: “Você quer ser agora um afroconveniente?”.
Delliana lembrou ainda que a participação de ACM Neto nos debates eleitorais também foi alvo de críticas de Roma. Na época, o então candidato declarou: “Quem quer governar a Bahia não pode ficar em cima do muro”. Em outra ocasião, afirmou que “o ex-prefeito fugiu do debate”.
Na postagem, a psolista também ressaltou que as declarações de Roma alcançaram ainda o grupo político ligado ao ex-prefeito. Durante a campanha, ele afirmou: “São dois grupos que se revezam no poder e têm por hábito aumentar os impostos”.
Ainda conforme a candidata, o tom adotado por Roma mudou após a formação da atual aliança eleitoral com ACM Neto. Em declarações recentes, o ex-ministro passou a fazer avaliações positivas sobre o antigo adversário, descrevendo-o como uma pessoa de “coração limpo”, “realmente motivada” e “muito conectada”. Roma também afirmou que ACM Neto estaria “sintonizado com as pessoas” e teria capacidade de identificar as “necessidades de cada um”.
Delliana utilizou a mudança nas declarações para questionar se as críticas feitas pelo hoje aliado eram convicções reais ou parte da estratégia eleitoral adotada em 2022. “João Roma precisa responder: ACM Neto deixou de ser o ‘riquinho’, o ‘afroconveniente’ e o político que fugia dos debates ou essas acusações nunca foram sinceras? Quem dizia que não se podia ficar em cima do muro agora atravessou para o outro lado em troca de um lugar na chapa. Isso não é mudança de opinião; é conveniência eleitoral”, afirmou Delliana.
Na mesma linha, a candidata resgatou outra declaração feita por Roma na campanha anterior. Segundo ela, o atual aliado de ACM Neto passou a integrar justamente um dos grupos políticos que anteriormente criticava pelo histórico de permanência no poder e por medidas relacionadas à política tributária.
“Roma denunciava o revezamento dos mesmos grupos no poder, mas agora se acomoda dentro de um deles. Trocou as próprias convicções por um lugar na chapa e espera que o eleitor simplesmente esqueça tudo o que ouviu em 2022. A política não pode ser um jogo em que os discursos mudam conforme os interesses pessoais”, declarou.
Além das acusações relacionadas à identidade racial e à participação em debates, Roma também utilizou outros termos para criticar ACM Neto durante a campanha de 2022. Na ocasião, o então candidato classificou o ex-prefeito de Salvador como um “riquinho” preocupado com “roupa cara, pulseira e carro de luxo”. Em outro momento, chamou ACM Neto de “cara de madeira” ao questionar as propostas apresentadas pelo adversário e sua capacidade de compreender a realidade da população mais pobre.
Para Delliana, o histórico das declarações deve ser considerado pelos eleitores diante da mudança de posicionamento ocorrida após a construção da aliança eleitoral. “Se um político muda completamente o que dizia acreditar para garantir espaço em uma chapa, qual segurança o povo tem de que ele não mudará novamente depois de receber o voto? Quem abandona o próprio discurso por conveniência também pode abandonar os compromissos assumidos com a população”, alertou.
Por fim, a candidata afirmou que divergências políticas podem ser superadas, mas defendeu que mudanças profundas de posicionamento sejam acompanhadas de explicações públicas. Para ela, a formação de uma aliança não deveria apagar as críticas feitas anteriormente nem substituir automaticamente os antigos ataques por elogios.
“O eleitor baiano merece coerência e respeito. Mandato não pode ser tratado como resultado de acordos entre grupos que ontem se atacavam e hoje se unem para preservar espaços de poder. O voto do povo exige responsabilidade, memória e compromisso”.

