O senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT) criticou, nesta quinta-feira (22), as propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que uma eventual vitória do candidato representa riscos aos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre. Em entrevista à rádio Piatã FM, em Salvador, o petista também questionou as relações do senador com pessoas investigadas e cobrou explicações sobre seu patrimônio.
“O maior risco é ele arrebentar o direito dos trabalhadores, arrebentar o direito das pessoas mais pobres e transformar o Brasil numa Argentina, ou numa ditadura como o pai dele tentou fazer no dia 8 de janeiro”, avaliou Rui Costa.
O ex-governador comparou as propostas de Flávio às políticas do presidente argentino Javier Milei e afirmou que as medidas poderiam comprometer programas sociais e a economia brasileira. “A Argentina perdeu 30 mil empresas no governo de [Javier] Milei, muitas empresas se mudaram para o Brasil. A fome voltou, a miséria chegou com toda força na Argentina. A coordenadora da área econômica da campanha de Flávio disse que vai fazer dois anos de transição para acabar com o Bolsa Família. O candidato Flávio já disse que vai adotar o modelo de Milei. Então, há um receio do povo, do Brasil virar uma Argentina. É um modelo que assusta e que ameaça a democracia”, declarou.
Durante a entrevista, Rui Costa também criticou as relações do candidato do PL com pessoas investigadas. O petista citou o empresário Willer Tomaz e afirmou que Flávio mantém vínculos com pessoas suspeitas de envolvimento em irregularidades. “Ele tem uma relação íntima com criminosos, pessoas que estão assaltando o país. Ele tem sociedade com Willer Tomaz, dono de empresas aqui no Brasil e no exterior. A vida dele é toda envolvida com trambiques”, disse Rui.
Willer Tomaz é apontado pela Polícia Federal como possível sócio oculto ou parceiro em investigações que envolvem Flávio Bolsonaro. Segundo o relato apresentado na reportagem, investigadores da PF encontraram no Aeroporto de Brasília uma estrutura que consideram ser uma sala secreta usada para guardar grandes quantias de dinheiro em espécie.
Rui também mencionou a relação entre Flávio e Adriano da Nóbrega, miliciano morto em confronto com a polícia da Bahia em 2020. Adriano recebeu moções de congratulações e a Medalha Tiradentes por indicação do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. A mãe do miliciano e sua ex-esposa também foram nomeadas para cargos comissionados no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Rui Costa também questionou a decisão de Flávio Bolsonaro de não aceitar o desafio do presidente Lula para abrir os sigilos bancário e telefônico. “Ele vem enrolando para que chegue o dia da eleição. O que ele está fazendo é para ganhar tempo, para que a população não conheça o seu grande enriquecimento”, afirmou.
Entre os episódios citados no debate sobre o patrimônio do senador estão a compra de uma mansão avaliada em cerca de R$ 6 milhões, a suspeita de superfaturamento de uma loja de chocolates que teria sido usada para lavagem de dinheiro e as investigações sobre suposta prática de rachadinha em seu gabinete.
Ao registrar a candidatura em agosto de 2026, Flávio declarou patrimônio de R$ 8,18 milhões. Em 2002, quando disputou uma eleição pela primeira vez, informou possuir um carro Gol 1.0 avaliado em R$ 25 mil.

