O ex-ministro e candidato ao Senado, João Roma (PL), criticou, nesta segunda-feira (24), o aumento no número de famílias unipessoais atendidas pelo Bolsa Família em 2026, ano eleitoral. Segundo dados publicados pela Folha de S.Paulo, o grupo voltou a crescer após uma redução registrada desde o início do atual governo.
As famílias unipessoais são aquelas formadas por apenas uma pessoa. O número de beneficiários desse grupo chegou a 5,9 milhões em janeiro de 2023, considerando a folha de pagamento de dezembro de 2022, período em que Roma ocupava o cargo de ministro da Cidadania. A quantidade caiu nos anos seguintes e chegou a 3,5 milhões em janeiro de 2026. A tendência, porém, foi revertida ao longo deste ano. Em julho, o número havia subido para 3,9 milhões, um aumento de 344 mil famílias nos primeiros sete meses. No mesmo período, o total de famílias atendidas pelo Bolsa Família passou de 18,8 milhões para 19,3 milhões.
Para Roma, o crescimento no número de beneficiários precisa ser explicado pelo governo federal, especialmente diante da redução promovida nos anos anteriores.
“O governo passou anos justificando cortes e pente-fino com o argumento de que precisava corrigir distorções no cadastro. Agora, justamente em ano eleitoral, o número volta a crescer. O que mudou? Por que essa tendência se inverteu? Me leva a pensar que só querem voto, não querem ajudar as pessoas de verdade”, disparou o candidato.
O ex-ministro da Cidadania também comparou a política social adotada durante sua gestão com o modelo atualmente implementado pelo governo federal. Ele lembrou ainda que foi responsável pela implantação do Auxílio Brasil, programa que substituiu temporariamente o Bolsa Família durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, segundo ele, triplicou o valor do benefício e eliminou a fila de espera.
“Sempre defendemos que a transferência de renda precisa proteger quem mais necessita, mas também criar caminhos para que as pessoas conquistem sua autonomia. O objetivo de uma política social não pode ser tornar o cidadão permanentemente dependente do Estado”, disse.
Por fim, Roma afirmou ainda que já havia criticado os cortes realizados no Bolsa Família a partir de 2023 e defendeu que o governo apresente os critérios utilizados tanto para excluir beneficiários quanto para ampliar novamente o número de famílias atendidas. “Quem depende desse dinheiro para colocar comida dentro de casa precisa de segurança e de regras transparentes, não de uma política que muda conforme a conveniência do governo. O brasileiro merece saber quais critérios justificaram os cortes e quais explicam o aumento de beneficiários neste momento”, concluiu.

