Quase três em cada dez candidatos nas eleições de 2026 são estreantes nas urnas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 20.608 registros contabilizados neste ano, 5.587, ou 27,1%, são de pessoas sem candidatura anterior localizada nas bases da Justiça Eleitoral desde 1994. De acordo com informações do G1, outros 15.021 candidatos, equivalentes a 72,9%, já haviam disputado pelo menos uma eleição no período analisado.
Para o levantamento, são considerados estreantes os candidatos que não aparecem nas bases de eleições gerais ou municipais anteriores entre 1994 e 2024. Nos arquivos de 1994 e 1996, que não apresentam CPF ou título eleitoral de forma utilizável, a checagem também considerou nome e data de nascimento.
A ausência de registros anteriores, porém, não significa necessariamente que os candidatos nunca tenham participado da política. Eles podem ter exercido cargos não eletivos, ocupado funções partidárias ou concorrido antes de 1994.
Mais de nove em cada dez candidatos estreantes disputam vagas de deputado estadual, deputado federal ou deputado distrital. Juntos, os três cargos concentram 5.169 registros sem candidatura anterior localizada, o equivalente a 92,5% do total de estreantes.
Veja os números por cargo:
- Deputado estadual: 2.923 estreantes entre 11.139 candidatos (26,2%)
- Deputado federal: 2.016 entre 7.672 (26,3%)
- Deputado distrital: 230 entre 426 (54%)
- Segundo suplente de senador: 137 entre 319 (42,9%)
- Primeiro suplente de senador: 128 entre 318 (40,3%)
- Vice-governador: 70 entre 197 (35,5%)
- Senador: 45 entre 315 (14,3%)
- Governador: 34 entre 196 (17,3%)
- Presidente: 3 entre 13 (23,1%)
- Vice-presidente: 1 entre 13 (7,7%)
O cargo de deputado estadual concentra o maior número absoluto de estreantes, com 2.923 candidatos. Proporcionalmente, porém, a maior participação está na disputa por deputado distrital: 54% dos candidatos não haviam concorrido anteriormente.
Na outra ponta, os menores números absolutos estão nas candidaturas a vice-presidente, com um estreante; presidente, com três; governador, com 34; senador, com 45; e vice-governador, com 70.
A disputa pela Vice-Presidência também apresenta a menor proporção de estreantes, com 7,7%. Em seguida aparecem senador (14,3%), governador (17,3%) e presidente (23,1%).
Entre os partidos, o Missão apresenta a maior proporção de candidatos sem registro de candidatura anterior localizado. A sigla teve o registro aprovado pelo TSE em 4 de novembro de 2025, menos de um ano antes das eleições de 2026, sua primeira disputa eleitoral nacional.
Confira as maiores proporções:
- Missão: 77,4%
- UP: 62,2%
- Democrata: 40,2%
- PRTB: 40%
- PCO: 38,4%
- Novo: 35,9%
- Rede: 34,6%
Os menores percentuais aparecem entre PT (17,1%), PP (17,7%), PL (19,1%) e União Brasil (19,5%).
O levantamento também aponta uma diferença entre homens e mulheres. Entre as 7.214 candidaturas femininas, 2.637 são de estreantes, o equivalente a 36,6%. Entre os homens, são 3.325 estreantes em um universo de 13.468 candidatos, representando 24,7%.
Embora as mulheres correspondam a 34,9% de todos os candidatos nas eleições de 2026, elas representam 44,2% do grupo de estreantes.
Em números absolutos, São Paulo é o estado com mais candidatos sem participação eleitoral anterior localizada. São 678 estreantes, o equivalente a 26,2% dos 2.590 registros do estado.
- São Paulo: 678 estreantes entre 2.590 candidatos (26,2%)
- Rio de Janeiro: 594 entre 2.017 (29,4%)
- Minas Gerais: 450 entre 1.811 (24,8%)
- Distrito Federal: 335 entre 651 (51,5%)
- Bahia: 315 entre 1.206 (26,1%)
Proporcionalmente, o Distrito Federal ocupa a primeira posição: 51,5% dos candidatos não haviam disputado uma eleição desde 1994. Depois aparecem Amapá (34,3%), Piauí (32,8%), Roraima (31,5%), Acre (29,9%) e Rio de Janeiro (29,4%). As menores proporções estão em Mato Grosso do Sul (21,2%) e Rio Grande do Sul (21,9%).

