O candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), criticou a Record por exibir, neste domingo (23), uma entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mesmo horário do debate presidencial realizado pela Band. O debate começou às 20h, enquanto a entrevista com Lula foi exibida pela Record às 20h30. Renan afirmou que a emissora se comportou como “moleque” e acusou o canal de favorecer o presidente.
Lula não participou do primeiro debate presidencial da campanha sob a justificativa de que haveria desigualdade de condições. A campanha do petista afirmou que a Band havia convidado candidatos que não eram obrigados por lei a participar do debate.
“Ao invés de contribuir com a democracia, chamou aquele bêbado safado para fazer monólogo”, disse Renan.
Durante o debate, o candidato do Missão também questionou se a emissora faria perguntas a Lula sobre as investigações envolvendo Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
Na entrevista exibida pela Record, Lula foi questionado sobre o assunto. A conversa havia sido gravada anteriormente. O presidente afirmou que não interfere nas investigações envolvendo o filho e defendeu que a Polícia Federal apure as suspeitas.
“Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”, disparou.
O candidato do Missão também criticou a Record por não tê-lo convidado para as sabatinas promovidas pela emissora. No fim da semana, Renan e o partido divulgaram uma nota em que repudiaram a decisão. Segundo a legenda, não houve justificativa para a ausência do candidato. “A emissora não apresentou qualquer justificativa objetiva para essa exclusão”, afirmou o partido.
A legenda também declarou: “A Record não tem o direito de escolher, de acordo com a sua conveniência, quais candidaturas o povo brasileiro pode ou não conhecer”.
Durante o debate, Renan voltou a criticar a emissora. “Rede Record se comporte como amiga da democracia, não como puxa-saco de ladrão”, disse. Fundador do MBL, Renan também acusou a emissora de ter “ajudado por muito tempo” o candidato Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de “cagão” por não participar do debate da Band.
No estúdio, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, classificou a entrevista de Lula durante o debate como um “papelão” da Record.
O candidato Augusto Cury (Avante) também citou a entrevista de Lula ao explicar por que quase desistiu de participar do debate. Em frente ao prédio da Band, Cury afirmou que estava incomodado com a polarização e chegou a dizer que faltaria ao evento em protesto contra a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro. “A gota d’água foi o Lula fazer uma entrevista ao vivo na hora do debate”, disse.
Por fim, Cury também criticou eleitores que apoiam Lula. “Se você hoje, em 2026, está votando no Lula, eu não quero teu voto. Não faz sentido. Você está defendendo um governo que quebrou o Brasil, que está mantendo o Brasil quebrado, não apresenta nenhuma proposta e está envolvido em escândalo de corrupção”.

