O presidente do PT Bahia, Tássio Brito, rebateu a declaração do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), de que não é “de direita nem, de esquerda”. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (4), o dirigente afirmou que o prefeito não se enquadra nesses dois campos políticos, mas na extrema direita.
“Bruno Reis tirou a máscara e se alinhou à extrema direita no Brasil no segundo turno. A ação dele de tirar os ônibus das ruas no dia da eleição também prova que ele é um político de extrema direita, que tem pouco apreço à democracia. É triste porque ele teve 78% dos votos aqui para sua reeleição e não teve nenhum pudor em olhar pra essas pessoas que votaram nele e dizer ‘vocês não vão ter ônibus’”, afirmou Tássio.
O dirigente também criticou o apoio de Bruno Reis e do ex-prefeito ACM Neto a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Segundo Tássio, os dois políticos haviam se beneficiado, no primeiro turno, de eleitores que também votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidente.
“Muitas pessoas acreditaram que ACM Neto e Bruno Reis tinham postura de neutralidade, de isenção. Quando eles sobem no trio para defender Flávio, o povo baiano, que é extremamente ligado ao presidente Lula, se sente traído. Eles são os dois traidores da Bahia nessa eleição. É uma traição tão explícita e o povo entendeu tanto que Flávio não cresceu nada na Bahia, com eles em cima ou fora do palco. Já o presidente Lula cresceu 850 mil votos entre o primeiro e o segundo turno”, destacou.
Tássio Brito também comentou a participação do Nordeste no resultado da eleição presidencial e defendeu maior atenção da direção nacional do PT à região. O dirigente citou a diferença de votos favorável a Lula nos dois turnos e a presença de políticos nordestinos na bancada do partido no Senado.
“Tem um problema estrutural do Brasil que é uma dificuldade em enxergar o Nordeste. Isso aqui deu 11 milhões de votos de frente a Lula no primeiro turno e 13 milhões no segundo. Não é qualquer coisa, não existe pensar em vencer eleição sem a pujança do Nordeste. Não é o voto, é o que move o voto. Se os nossos quadros progressistas não olharem para o Nordeste pensando em beber da inteligência política desse povo aqui não vai acertar lá. Reelegemos quatro governadores, todos do Nordeste. Da bancada de 10 senadores do PT no ano que vem, oito são do Nordeste. Não se trata de querer ou não diminuir, porque não tem como diminuir o PT do Nordeste”.

