A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (16) a prorrogação por 90 dias do inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O caso “Dark Horse” surgiu em maio de 2026, após o site The Intercept Brasil revelar gravações nas quais o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) teria trocado mensagens com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre aportes financeiros de até R$ 134 milhões para produção do filme biográfico de Jair Bolsonaro.
O senador confirmou a solicitação de apoio financeiro, mas negou irregularidades. Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido repassados para a produção. O inquérito foi aberto em julho, a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria Geral da República (PGR).
A corporação apura supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e organização criminosa. O prazo inicial para a entrega do relatório final terminou em 10 de outubro.
A PF argumenta que a prorrogação é necessária porque os elementos colhidos nas etapas recentes da investigação revelaram dúvidas e inconsistências que exigem aprofundamento quanto à origem dos recursos e à finalidade das remessas financeiras.
A corporação afirmou que ainda é preciso concluir a perícia sobre a documentação fiscal, bancária e contratos de câmbio da produtora Go Up, que teria sido reforçada por documentos apresentados pelo colaborador, Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações, empresa que realizou os repasses de Vorcaro para a produção do filme.
Mendonça homologou a delação de Mineiro no dia 9 de setembro. Além disso, os investigadores devem finalizar o processamento de mídias e dispositivos eletrônicos apreendidos com investigados e defendem a cooperação jurídica internacional para detectar o caminho do dinheiro.
Uma das linhas de investigação da PF apura a suspeita de que parte dos recursos destinados ao filme tenha sido usada para bancar a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Ele se mudou para os EUA em 2025 alegando perseguição política pelo ministro Alexandre de Moraes e nega ter recebido qualquer recurso da produção.
Fonte: Gazeta do Povo

