O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, avaliou o resultado das eleições e comentou os próximos passos do partido na relação com o governo Lula. Após a legenda manter neutralidade no segundo turno, enquanto União Brasil, PP, Republicanos e MDB declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), o PSD passou a ser apontado como possível aliado na formação da base do quarto mandato do presidente.
Em entrevista ao Jornal O Globo, Kassab analisou a vitória de Lula, as razões da derrota de Flávio e o desempenho eleitoral do próprio partido. A sigla elegeu cinco governadores, mas teve resultados abaixo do esperado em disputas importantes, como as de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, Mateus Simões, em Minas Gerais, e dos candidatos escolhidos para suceder Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, no Paraná. No Congresso, o PSD também perdeu espaço. A bancada no Senado caiu de 13 para cinco cadeiras, enquanto a representação na Câmara dos Deputados passou de 48 para 43 parlamentares.
Ao explicar a vitória de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, Kassab afirmou que a direita perdeu a oportunidade de apresentar um candidato mais moderado, o que, na avaliação dele, teria ampliado as chances de vitória da oposição.
“Sempre registrei que se os adversários do governo escolhessem um adversário mais moderado, a chance de vitória era grande. Na hora que optaram pelo Flávio na direita, dividiram o centro com o Lula. Depois tivemos o segundo turno. Em agosto e setembro, Flávio havia se beneficiado da campanha misturada com as de deputado, senador e governador. Ninguém conhecia ele direito fora do Rio. Aí, em outubro, Flávio foi se apresentando e mais pessoas foram não gostando do que viam. Ele acabou assustando falando em mexer na Constituição. Muita gente rejeitou também o linguajar e a falta de postura nos debates. Como pode agredir o oponente pela deficiência (referência ao episódio em que chamou Lula de nove dedos na Globo)?”, questionou.
O presidente do PSD também atribuiu parte do resultado à estratégia de comunicação do PT e à atuação de grupos de apoio ao presidente nas redes sociais. “O mérito do PT foi explorar as fragilidades do Flávio. A campanha do Lula mexeu bem com o medo das pessoas da volta do bolsonarismo. Além disso, as manifestações espontâneas nas ruas tiveram um peso e André Janones foi muito grande para mostrar ao PT a importância da comunicação digital”, apontou.
Kassab também foi questionado sobre a possibilidade de assumir um ministério no quarto mandato de Lula. O PSD já ocupou três pastas no atual governo: Agricultura, Minas e Energia e Pesca.
“Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez”, afirmou.

