A escolha do próximo ministro da Fazenda pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma disputa interna no partido sobre os rumos da política econômica do governo até a eleição presidencial de 2030. De acordo com apuração da Folha de São Paulo, o debate ganhou força após o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, surgir como um dos principais cotados para assumir o comando da pasta, considerada a mais importante da Esplanada dos Ministérios depois da Presidência da República.
A possível indicação, no entanto, enfrenta resistência de integrantes do próprio PT. Setores do partido questionam a preferência de representantes do mercado financeiro pelo nome de Fonteles e avaliam que o governador poderia adotar uma política de cortes de despesas, semelhante ao ajuste fiscal defendido pela equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial.
Parte das críticas foi compartilhada em grupos de economistas do PT, que reúnem nomes como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) Paulo Nogueira Batista.
Em entrevista à Folha, Fonteles defendeu a adoção de uma política econômica que combine responsabilidade fiscal e ampliação dos investimentos sociais.
“Ele vai navegar nesses dois campos, conciliar essas duas agendas, mas jamais vai abrir mão dos ganhos sociais a cada ano”, afirmou.
Em entrevistas posteriores a outros veículos, o governador repetiu a mesma posição. Auxiliares de Lula avaliam que o discurso está alinhado ao pensamento do presidente, que pretende dar mais “frescor” ao próximo mandato e responder às demandas de seus eleitores.
Aos 41 anos, Fonteles integra uma ala mais jovem do PT no Nordeste. O grupo passou a participar do núcleo da campanha presidencial depois que Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL).

