O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), enviou uma emenda parlamentar de R$ 200 mil para um projeto em área de milícia, no Rio de Janeiro, a pedido de um dos homens presos por envolvimento no assassinato da vereadora, Marielle Franco. O envio dos recursos é alvo de investigação da Polícia Federal.
De acordo com informações divulgadas pelo Estadão, a assessora do gabinete de Flávio no Senado, Maria de Fátima Bezerra Castro, teria negociado em 2023 o repasse do valor com Robson Calixto, conhecido como Peixe. Ele é apontado como uma das principais pessoas envolvidas no assassinato de Marielle e também é acusado de participar de uma milícia no Rio de Janeiro.
Segundo apuração da Polícia Federal, a assessora também enviou convite para que Robson Calixto, o “Peixe”, participasse de um evento com Flávio Bolsonaro no qual poderia cobrar pessoalmente a liberação dos recursos.
A reportagem aponta que o dinheiro foi destinado para um projeto de futebol infantil do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) na Zona Sudoeste do Rio, reduto eleitoral dos irmãos Brazão, condenados como mandantes do homicídio da ex-vereadora.
Os investigadores descobriram que, em setembro de 2023, Peixe teve tratativas sobre a construção de imóveis em loteamentos na Estrada da Boiúna, na Taquara. Um mês depois, ele pediu dinheiro público ao gabinete do senador Flávio Bolsonaro para o projeto social de uma ONG localizada no bairro.
Dois dias depois de solicitar a contribuição por emenda orçamentária, Peixe recebeu da assessora do senador um convite para uma cerimônia do gabinete no Rio de Janeiro e foi orientado a aproveitar a ocasião para reforçar pessoalmente a demanda com Flávio, levando junto o deputado Chiquinho Brazão.
As conversas entre os dois se deram por cinco meses, incluíram um telefonema iniciado por ela e só terminaram dois dias antes de a Polícia Federal prender Peixe e os irmãos Brazão. No celular dele, o número da assessora estava salvo como “Fafa Flávio Bolsonaro”.
No telefone de onde saíram as mensagens, apreendido na mesma ação que prendeu Peixe, há uma mensagem que diz: “Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador [se referindo a Flávio], porém estamos no aguardo.”
O relatório da investigação destaca que Peixe também chegou a reforçar pessoalmente ao senador o pedido de recursos e, “poucos dias” depois, veio a destinação da emenda parlamentar.
Procurados pela Revista Piauí, Flávio Bolsonaro, Robson Calixto Fonseca e Maria de Fátima Bezerra Castro não responderam.
*Com informações do Jornal A Tarde

