Durante uma entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta sexta-feira (6), o senador Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, admitiu não ter provas de fraude. O parlamentar, entretanto, afirmou que há suspeitas sobre a apuração dos votos, questionando a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio comentou ainda que poderá concorrer a Presidência da República daqui a quatro anos, se conseguir o apoio do partido.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos no dia 27 de outubro e desde então contesta o resultado das urnas. Na entrevista, o senador afirmou que tanto ele, como Lula não podem garantir quem foi o vencedor da eleição presidencial.
Apesar de reconhecer que não possui provas de irregularidades, sustentou que não teria como obtê-las porque, segundo ele, o assunto seria proibido de investigar no país.
Flávio Bolsonaro perdeu no segundo turno das eleições, ficando com 59,8 milhões dos votos válidos, o equivalente a 48,21% do total.
O resultado foi reconhecido pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que se pronunciou logo após o resultado da apuração. A vitória também foi seguida por manifestações de reconhecimento e saudações de mais de 100 países.
Questionado diretamente sobre a ausência de provas, no que se refere a manipulação dos votos, que levou Lula a ter uma diferença de 10,3 milhões a mais, se comparado ao primeiro turno, o senador voltou a responsabilizar as instituições eleitorais e afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral estaria “dominado” pelo governo. O TSE é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e tem André Mendonça, também indicado pelo ex-presidente.
Pedido de cassação e 2030
Apesar de questionar publicamente a apuração, Flávio afirmou que a estratégia jurídica do PL não será baseada em uma acusação de fraude na contagem dos votos. Segundo ele, o partido pretende pedir a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por abuso de poder econômico.
O argumento deve se concentrar em medidas anunciadas ou implementadas pelo governo durante o período eleitoral, como o aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e a promessa de repasse de R$ 5 mil a microempreendedores individuais (MEIs).
Ao comentar a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputar a Presidência em 2030, Flávio afirmou que todos têm o direito de apresentar seus nomes. O senador, no entanto, também admitiu a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto.
“Se houver eleição antes, tenho esse direito; em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar”, declarou.
Ele condicionou, porém, uma eventual candidatura de Jair Bolsonaro à recuperação dos direitos políticos do pai. “Se ficar elegível, é o meu candidato”, afirmou.

