O documentário 963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos, que revisita o período em que Michel Temer (MDB) esteve à frente da Presidência da República, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), foi exibido nesta sexta-feira (14), em Salvador, durante a programação especial pelos 215 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB).
Dirigido por Bruno Barreto, a produção reúne depoimentos do próprio ex-presidente, de jornalistas, economistas, juristas e políticos. A pré-estreia ocorreu em São Paulo, em junho. Após a passagem por Salvador, a produção tem previsão de chegar ao Rio de Janeiro e, posteriormente, às plataformas de streaming. Na capital baiana, a sessão contou com a presença do ex-presidente Michel Temer, da presidente da ACB, Isabela Suarez, além de de convidados dos meios político, empresarial e jurídico.
Um dos pontos abordados pelo documentário é a formação da chapa que levou Michel Temer à Vice-Presidência da República no governo de Dilma Rousseff (PT). Na produção, Temer relembra, em tom irônico, que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não queria inicialmente que ele ocupasse a posição de vice na chapa, e pretendia receber três nomes para a definição. Apesar do desejo do petista, Temer era o único nome do MDB para o cargo.
“Lula não queria que eu fosse vice. Ele pegou três nomes para escolher um. Foi mandado para ele os nomes, Michel, Temer, Lulia”, ironiza.
A produção também recupera os acontecimentos que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff e na chegada de Temer à Presidência em 2016. O debate sobre o impeachment aparece entre os principais temas do documentário. A produção apresenta diferentes avaliações sobre o processo que retirou Dilma do cargo.
A advogada Luciana Temer, filha do ex-presidente, afirma ser contrária ao impeachment, embora faça uma distinção entre sua avaliação política e a classificação jurídica do processo.
“Do ponto de vista democrático não é bom para o país. No entanto, não dá para dizer que é golpe. Está previsto na Constituição”, afirma.
O advogado Antônio Mariz, que representa Temer, também aborda no filme a acusação de que o processo teria envolvido uma tentativa de golpe. Segundo ele, não haveria condições políticas para que Temer articulasse a tomada do poder: “Não tinha como cooptar todo o Congresso”, enfatiza.
O diretor da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, também participa da produção e faz referência ao golpe militar de 1964 ao tratar do tema. “Golpe foi de 64”, compara.
O documentário ainda apresenta uma análise do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre os processos de impeachment ocorridos após a Constituição de 1988, destacando que tanto Fernando Collor quanto Dilma Rousseff foram afastados da Presidência.
Além de Michel Temer, a produção conta com depoimentos de nomes que acompanharam de diferentes perspectivas os acontecimentos políticos e econômicos daquele período. Entre os participantes estão o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, as jornalistas Raquel Landim e Consuelo Dieguez, além do economista Henrique Meirelles, que ocupou o Ministério da Fazenda durante o governo Temer.
O publicitário Nizan Guanaes também participa do documentário e aborda o contexto político enfrentado pelo governo para implementar medidas consideradas impopulares. Entre as ações lembradas está a Reforma Trabalhista, aprovada durante o governo Temer.
Durante o documentário, o diretor Bruno Barreto afirmou que teve liberdade para conduzir a produção e que não houve censura durante o processo de realização. O diretor também destacou a preocupação em apresentar os acontecimentos relacionados ao governo Temer com fidelidade. A proposta do filme, segundo a produção, é revisitar o período a partir dos acontecimentos políticos, econômicos e institucionais que marcaram os 963 dias de Temer no Palácio do Planalto.
A exibição na capital baiana faz parte da programação especial da Associação Comercial da Bahia, que completa 215 anos. A entidade tem mantido participação em debates sobre temas institucionais e econômicos e já havia recebido Temer em Salvador em eventos anteriores. A sessão reuniu representantes da política baiana, entre eles o ex-prefeito Antônio Imbassahy, o ex-deputado Benito Gama, o deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil) e o presidente de honra do MDB na Bahia, Lúcio Vieira Lima, além de empresários e convidados.
963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos teve sua primeira exibição para convidados em São Paulo, em junho, antes de iniciar o circuito de sessões especiais. A produção dirigida por Bruno Barreto tem como eixo os acontecimentos dos 963 dias de Michel Temer na Presidência e busca reconstruir o período a partir de depoimentos de personagens que participaram ou acompanharam os fatos. Depois da exibição em Salvador, a expectativa é de que o documentário siga para outras cidades e posteriormente seja disponibilizado em plataformas de streaming ainda em 2026.

