O ex-chanceler e atual assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, defendeu que o Brasil mantenha relações diplomáticas mínimas com Israel e não aceite a nomeação de um novo embaixador israelense. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele classificou a ação de Israel na Faixa de Gaza como genocídio e disse que o país deve aderir formalmente à denúncia apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Amorim destacou que é preciso distinguir o povo judeu e o Estado de Israel do atual governo de Benjamin Netanyahu, a quem atribui responsabilidade direta pelo massacre de civis palestinos. “Estamos falando de 60 mil, 70 mil mortos, muitas mulheres e crianças. Isso é impensável”, afirmou. Segundo ele, o novo embaixador israelense “não recebeu o agrément, nem vai receber”.
O assessor presidencial também comentou sobre a atuação do BRICS diante do cenário geopolítico global, criticando o unilateralismo dos EUA sob Donald Trump e defendendo o fortalecimento do multilateralismo. Amorim alertou que o esvaziamento de instituições como a ONU e a OMC eleva os riscos de conflitos globais: “Se você começar a aplicar regras unilaterais, está aprofundando os riscos de uma guerra mundial”.

