A recente declaração de Jair Bolsonaro, líder do PL, sobre sua intenção de retirar o Brasil do Brics caso retorne à Presidência, gerou alarme entre os países que compõem o grupo, como Rússia, Índia e África do Sul. Ao afirmar que, se voltar ao poder, o Brasil sairá da aliança, Bolsonaro acendeu um sinal de alerta pela primeira vez com uma fala tão incisiva de um ex-presidente. Embora o bloco tenha sido tradicionalmente defendido por políticos brasileiros de peso, a possível mudança de postura de Bolsonaro traz incerteza, especialmente após a volta de Donald Trump ao governo dos EUA, que já atacou o Brics.
A criação do Brics em 2009, que teve participação importante do Brasil, nunca havia sido questionada por políticos de peso, até a fala de Bolsonaro. A própria ideia de formação do grupo era associada à busca por uma maior autonomia econômica e política para os países emergentes, o que levava a uma política de boa relação com os Estados Unidos, mas sem subordinação.
Embora a declaração de Bolsonaro tenha sido uma das mais explícitas contra o Brics, o que preocupa autoridades de países do bloco é o peso de sua liderança. Apesar de Bolsonaro estar inelegível, suas palavras podem causar impactos nos bastidores, especialmente entre seus apoiadores. No governo anterior, o Brics foi defendido por ministros como Paulo Guedes, da Economia, e criticado por outros, como o general Augusto Heleno, da Segurança Institucional.

