Durante a primeira negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos sobre o tarifaço, representantes do governo brasileiro disseram que o tratamento dispensado ao país pela Casa Branca é injusto e discriminatório.
Os ministros da Indústria, Márcio Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmaram, na reunião virtual com Jamieson Greer, representante comercial da Casa Branca, “que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”, segundo nota divulgada pelo governo Lula (PT).
Brasil e EUA concordaram em voltar a tratar do tema em nível ministerial, em encontro ainda sem data, para revisar o progresso alcançado nas negociações bilaterais e nas reuniões de nível técnico que devem acontecer nas próximas semanas.
“O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanos, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países”, diz a nota assinada pelo Itamaraty e pelo ministério da Indústria. Segundo a chancelaria, as próximas reuniões de alto nível podem ser presenciais ou virtuais.
Segundo o Folha de S. Paulo, um membro do governo, os avanços requerem tempo para negociar, mas o encontro ainda assim foi positivo por mostrar que os canais continuam funcionando, já que o governo brasileiro sempre insistiu nas negociações.
O governo Lula teme uma espécie de tarifaço permanente caso o impasse com os americanos se prolongue.
Um auxiliar do presidente lembra que as barreiras comerciais sobre o aço e o alumínio implementadas em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, não foram revogadas pelo sucessor, o democrata Joe Biden. O risco seria que as tarifas da Seção 301 implementadas em julho seguissem o mesmo caminho, com impactos ainda mais graves.
São duas as tarifas aplicadas pelos EUA contra o Brasil. Uma primeira, de 25%, por supostas práticas comerciais desleais. E uma segunda, de 12,5%, por supostas falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado –esta última substituiu a tarifa global de 10% que vigorou até julho.
Neste mês, o governo brasileiro deu início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite à União retaliar medidas comerciais aplicadas por outros países de forma injusta ou desproporcional.

