O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma caminhada de campanha realizada nesta segunda-feira (28), no Centro de São Paulo. O gesto ocorreu em meio à controvérsia provocada por informações falsas sobre uma suposta articulação para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
Flávio participava do ato ao lado do governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quando recebeu a imagem de uma pessoa que acompanhava a mobilização.
Após receber a representação de Nossa Senhora Aparecida, o candidato do PL a levantou diante dos apoiadores. Tarcísio também segurou a imagem junto com Flávio durante o ato.
A cena ocorre após o tema religioso ganhar espaço na reta final da campanha presidencial e provocar manifestações de candidatos, partidos e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A controvérsia começou após a circulação de informações de que haveria uma mobilização de grupos evangélicos e de políticos de direita para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Atualmente, porém, não existe no Congresso Nacional projeto em tramitação com esse objetivo nem há comprovação de uma mobilização organizada de evangélicos para promover a mudança.
O assunto ganhou repercussão depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes afirmou, durante o programa Em Pauta, da GloboNews, na quinta-feira (24), que existiria uma movimentação no meio evangélico para alterar o título. Posteriormente, a emissora corrigiu a informação e esclareceu que a proposta legislativa relacionada ao assunto havia sido apresentada em 2007 e arquivada no ano seguinte. A GloboNews também afirmou que não há atualmente movimento organizado de evangélicos nesse sentido.
A proposta mencionada na correção era o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Victorio Galli. O texto pretendia alterar a legislação para estabelecer Nossa Senhora Aparecida como “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, em vez de Padroeira do Brasil. A matéria foi arquivada em 2008.
A repercussão política levou o episódio à esfera judicial. A controvérsia motivou iniciativas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) em meio a acusações entre integrantes das campanhas sobre a disseminação de informações falsas.
O episódio também desencadeou um embate entre Flávio Bolsonaro e a CNBB. No domingo (27), durante agenda de campanha, o candidato do PL acusou o PT de criar uma “fake news” sobre Nossa Senhora Aparecida e afirmou que integrantes da CNBB teriam colaborado para disseminar a informação.
“A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade”, afirmou.
A CNBB reagiu às declarações ainda no domingo e negou qualquer participação na produção ou divulgação de informações falsas relacionadas à disputa eleitoral. Em nota, a entidade afirmou que não produziu nem autorizou conteúdos com esse objetivo e considerou injusta a acusação feita pelo candidato.
“A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral. […] Mentira não se combate com outra mentira”, declarou.
A Conferência também criticou especificamente a tentativa de associá-la a uma estrutura de disseminação de desinformação.
“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou a entidade.

