A federação formada por PT, PCdoB e PV articulou uma aliança com partidos de centro para ampliar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara dos Deputados a partir de 2027. A iniciativa também busca conter o avanço do PL, que terá a maior bancada da Casa, com 121 deputados, mesmo após a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
O acordo foi anunciado na terça-feira (27), após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na ocasião, a federação oficializou, por unanimidade, apoio à reeleição do parlamentar, prevista para fevereiro.
A articulação prevê um bloco com União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e PSDB-Cidadania. Se todas as siglas aderirem, o grupo poderá reunir até 328 dos 513 deputados federais.
Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), a iniciativa pretende facilitar a aprovação das propostas do quarto mandato de Lula, principalmente nas áreas de direitos sociais, políticas para mulheres e soberania nacional.
A federação contará com 88 deputados na próxima legislatura: 70 do PT, 11 do PCdoB e sete do PV. Sozinha, a aliança não alcança os 257 votos necessários para garantir maioria absoluta na Câmara.
A formação dos blocos também influencia a distribuição de cargos na Mesa Diretora e nas comissões permanentes, tornando as negociações entre partidos estratégicas para o funcionamento da Casa.
O grupo não inclui PL, Novo e Missão. Até o anúncio, o PSOL ainda não havia confirmado participação.
Apesar do acordo, o apoio das cúpulas partidárias não assegura votos unificados. A aprovação das propostas do governo dependerá de negociações com os parlamentares em cada votação.

