Em busca de ampliar o apoio entre os eleitores evangélicos no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou uma carta às famílias cristãs na qual defende mudanças na jornada de trabalho, cita ações do governo e pede “discernimento” na escolha eleitoral. O documento, datado desta quarta-feira (14), foi divulgado nas redes sociais pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
A iniciativa ocorre em meio à disputa pela reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL), que apresenta vantagem entre os evangélicos. Pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro apontou 46% das intenções de voto para Flávio e 27% para Lula nesse segmento, considerando o primeiro turno.
Na mensagem, o presidente afirma ter “total respeito” pela fé cristã e destaca o compromisso de seu governo com a proteção das famílias brasileiras. Lula também relaciona propostas trabalhistas e sociais à rotina das comunidades religiosas.
Um dos principais pontos da carta é a defesa de dois dias de descanso semanal, proposta relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1. Segundo Lula, a redução dos dias trabalhados permitiria ampliar o tempo dedicado à família e às atividades religiosas.
“Lembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho”, afirma o presidente.
Na carta, Lula argumenta que o descanso também possibilita aos evangélicos passar mais tempo nas igrejas, “em comunhão com os irmãos”. O presidente inclui o combate às apostas on-line entre as medidas que considera importantes para a proteção das famílias, ao afirmar que as bets têm provocado prejuízos à vida doméstica.
Além das questões trabalhistas, Lula aborda o combate à violência contra as mulheres, o enfrentamento ao crime organizado e a proteção de crianças e adolescentes. O documento também menciona compromissos com a melhoria da saúde pública, o aumento da renda e a preservação ambiental. Ao final, o presidente pede que as famílias evangélicas recorram à oração e ao “discernimento” antes de definir o voto no segundo turno.

