O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), elogiou, nesta quinta-feira (10), a atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, diante da crise que envolve ministros da Corte. Em entrevista ao SBT, o petista afirmou estar satisfeito com as medidas adotadas pelo magistrado e disse esperar que ele avance em outras ações para recuperar a credibilidade do tribunal.
Para Lula, Fachin assumiu uma posição necessária diante do conflito interno no Supremo e começou a estabelecer limites em meio às divergências entre ministros. O presidente, no entanto, afirmou que ainda é necessário esclarecer as responsabilidades pelos fatos que deram origem à crise.
“Se a Suprema Corte vira uma balbúrdia, ninguém conversa com ninguém, ninguém confia em ninguém, todo mundo acusa todo mundo, o presidente tem que assumir o presencialismo e colocar ordem na casa. Então eu estou satisfeito que o Fachin colocou ordem na casa. Ainda falta, falta apurar quem é culpado de verdade”, disse o petista, segundo o G1.
O presidente também afirmou que espera novas medidas de Fachin para reorganizar a Corte e recuperar a confiança da população no STF. “Fachin tomou atitude correta, não terminou de tomar as atitudes, espero que faça mais coisa para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte”, afirmou.
Ao comentar a crise, Lula afirmou que eventuais responsabilidades devem ser apuradas independentemente de quem esteja envolvido. A declaração ocorreu em meio ao conflito entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, que ganhou novos desdobramentos a partir de decisões relacionadas às investigações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Se Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar. Todo mundo tem que está à disposição do cumprimento da nossa Constituição. A lei acima de tudo e a verdade seja soberana”, disse o presidente.
A crise envolvendo os ministros passou a incluir também disputas sobre investigações da Polícia Federal (PF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio Supremo.
Na quarta-feira (9), Fachin suspendeu a decisão de Mendonça que havia determinado o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro também suspendeu a decisão de Flávio Dino que havia determinado a reintegração dos dois servidores aos cargos.
Fachin ainda assumiu a relatoria de investigações relacionadas ao chamado “Inquérito das Fake News” e determinou a suspensão de “todo e qualquer procedimento” de investigação contra integrantes do STF.
Outra medida atingiu a apuração conduzida pela PGR sobre uma possível interferência na elaboração de um relatório da PF que apontou uma relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero.
Ainda na quarta-feira, Fachin convocou uma sessão do plenário do STF para a próxima terça-feira (15). O encontro terá como pauta a discussão sobre o relatório da PF que apontou uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro.
Durante a entrevista, Lula também voltou a defender a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao chamado “caso Master”. A defesa da publicidade dos documentos ocorre enquanto diferentes frentes de investigação envolvendo o Banco Master, Vorcaro, ministros do STF e integrantes de órgãos de investigação permanecem sob análise da Justiça.
Ao longo da entrevista, Lula sustentou que a apuração deve avançar para esclarecer quem eventualmente cometeu irregularidades, reiterando a defesa de que a Constituição e a legislação devem prevalecer sobre as disputas entre integrantes das instituições.

