Por Anderson Luis e Eduardo Costa
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) afirmou nesta sexta-feira (24) que a independência do partido na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) é uma “necessidade política e não uma vaidade”. Ele relembrou a atuação solitária da legenda para afastar a presidência de Adolfo Menezes (PSD) no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nós não estamos aqui numa posição de independência, como nós trilhamos aqui na Bahia, eu vou dar um exemplo muito objetivo, por um devaneio, por uma vaidade, não é isso, é uma necessidade política. Na Assembleia Legislativa, nós precisamos, por exemplo, garantir que se tem um grande debate político, mas como é que se faz isso com uma presidência ilegal? Infelizmente, o PSOL figurou sozinho contra 62 deputados, os outros parlamentares, contra a Justiça baiana e contra o funcionamento do governador Jerônimo, que disse que Adolfo Menezes era o candidato dele à presidência da Assembleia. Nós tivemos que derrubar Adolfo Menezes no STF. Como a Bahia pode prescindir de uma posição independente do PSOL? Então são questões como essa que dão lastro à nossa candidatura. Como eu disse, não é um exercício de vaidade, é uma necessidade política de representar a resistência no momento atual”, declarou.
Hilton Coelho também afirmou que a legenda quer transformar a campanha em uma grande mobilização social, citando a tradição de resistência do povo baiano.
“O PSOL e a Rede de Sustentabilidade não querem ganhar a eleição de maneira fácil. Nós queremos convencer a população de que é preciso transformar a campanha numa grande mobilização social. Isso já aconteceu em outras situações. Nós tivemos situação em São Paulo, em outros estados, que nós tivemos uma capacidade de mobilização. E nós acreditamos sempre que o povo da Bahia, como é um povo da resistência, porque a Bahia tem toda uma trajetória de coragem, de afirmação de projetos alternativos. Tudo começou aqui como projeto também com a chamada Revolução dos Búzios. Então a gente tem história pra isso, a gente tem Carlos Marighella, o inimigo número um dos EUA depois que mataram o Che Guevara. Então nós acreditamos que vai ter um momento, nós vamos criar uma grande sintonia para fazer uma trovoada de mobilização. Não sei se será essa campanha para nos levar à vitória, mas se o companheiro Ronaldo Mansur, a companheira Meire Reis e Deliana vão fazer história nesse processo, eu não tenho nenhuma dúvida”, afirmou.
Divergências do PSOL com o PT estadual e federal
O deputado também destacou as divergências programáticas do PSOL com os governos estadual e federal, citando a saúde pública como exemplo.
“Nós temos a divergência de concepção em relação ao problema da saúde na Bahia. Enquanto nós não tivermos um fortalecimento do SUS de verdade na Bahia, não vamos ter regulação da pauta. E nisso eles não divergem, por quê? O caminho da privatização do SUS é um caminho que infelizmente está sendo pego pelos dois governos. Então, quando o Ronaldo for a campo para dizer que nós precisamos de concurso público, que a nossa prioridade para resolver, para avançar no problema da saúde pública no Estado da Bahia é, por exemplo, investir em saneamento básico.O investimento tem, mas a cada investimento em saneamento básico, a gente poderia estar economizando quatro para redirecionar na saúde. Então, o fortalecimento do SUS é viável e nós vamos mostrar programaticamente, porque o PSOL, inclusive, não pode se calar”, concluiu.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

Eduardo Costa é jornalista formado pela Unifacs. Atua como jornalista político no MundoBA e no Aqui Só Política.

