A candidata ao Senado, Professora Delliana (PSOL), criticou a atuação do PT e afirmou que o partido se afastou da esquerda durante sabatina no programa Giro Baiana, da Baiana FM/BNewsTV, nesta segunda-feira (31). Apesar das críticas, ela declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Delliana afirmou que o PSOL representa uma esquerda mais alinhada às suas posições e fez críticas às políticas adotadas pelo PT na Bahia.
“Nós somos a esquerda raiz. O PT tem se aproximado muito mais do centro. Eles não são de esquerda. Um partido de esquerda não trata a saúde como este governo trata, não deixa de fazer concurso público. Um governo de esquerda valoriza o trabalhador”, afirmou.
A candidata resumiu sua relação com os petistas com a frase: “É entender as máximas: Se Junte, mas não se misture (com os petistas); e somos parecidos, mas não iguais.”
Segundo Delliana, a posição também esteve presente na discussão sobre a federação entre PSOL e PT. “Eu e mais 70% do Partido Socialismo e Liberdade, nacionalmente, nós fomos contra essa federação do PSOL com o PT”, declarou.
Ao comentar a disputa política na Bahia, Delliana também criticou o candidato ao governo ACM Neto (União Brasil), que, segundo ela, representa o campo da direita. “Automaticamente, eu tenho feito uma distinção muito clara: ACM Neto não nos representa, não é o que queremos. A extrema-direita é aquilo que precisamos varrer do nosso país”, afirmou.
A candidata também cobrou explicações dos candidatos ao Senado Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT) sobre a retirada da então senadora Lídice da Mata (PSB) da disputa pela reeleição. Segundo Delliana, a decisão abriu espaço para Ângelo Coronel (Republicanos), atualmente aliado de ACM Neto.
“Eu gostaria muito que os jornalistas perguntassem a Jaques Wagner, a Rui Costa, o que eles acham, como é que eles se sentem o fato de terem limado a única mulher que foi senadora da Bahia, que foi Lídice da Mata? Tiraram uma mulher para colocar Ângelo Coronel”, afirmou.
Única mulher na disputa pelo Senado na Bahia, Delliana defendeu uma mudança na composição política do estado e a ampliação da participação de mulheres, da população negra, de moradores das periferias e da classe trabalhadora nos espaços de poder.
“Precisamos mudar a fotografia do poder. Não podemos continuar naturalizando que os mesmos grupos e as mesmas pessoas ocupem esses espaços indefinidamente. A Bahia precisa dar oportunidade para outras vozes, para as mulheres, para a população negra, para quem vem da periferia e para a classe trabalhadora.”
Na educação, Delliana criticou a aprovação automática na rede estadual e defendeu mudanças no modelo de ensino. “Não aceito o roubo de futuros. Quando um estudante passa pela escola sem ter assegurado o direito de aprender, estamos tirando dele a possibilidade de disputar uma universidade, um emprego e construir o próprio futuro em condições de igualdade”, afirmou.
Na saúde, a candidata voltou a defender a realização de concursos públicos e o fim das terceirizações. Segundo ela, as medidas são incompatíveis com a atuação que espera de um governo de esquerda.
Na área de segurança pública, Delliana relacionou o tema à violência contra as mulheres e defendeu o fortalecimento da Lei Maria da Penha e o funcionamento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) durante 24 horas. “Combater o feminicídio é algo estrutural e exige autonomia financeira para as mulheres.”
Para Delliana, a proposta política do PSOL busca se diferenciar tanto do PT quanto da extrema direita e ampliar a participação de novos grupos na política baiana. A candidata defende que educação, saúde e segurança sejam tratadas como políticas de Estado, e não apenas como promessas eleitorais.

