O empresário Nelson José Vigolo, réu na Operação Faroeste por formação e integração de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro, é o segundo maior doador individual da campanha do candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Nelson fica atrás apenas de Elói Vitório Marchett, empresário do agronegócio, que fez o repasse de R$2 milhões.
Do total de R$95,5 milhões doado para a campanha do presidenciável, R$1,1 milhão foram feitos pelo presidente do Grupo Bom Jesus Agropecuária por meio de duas transferências no dia 13 de outubro, sendo uma de R$ 700 mil e outra de R$ 400 mil.
Operação Faroeste
A Operação Faroeste, deflagrada pela Polícia Federal em 2019, investiga um esquema de venda de sentenças judiciais, formação de organização criminosa e grilagem de terras na região oeste da Bahia. Entre os magistrados envolvidos no caso estão o juiz Sérgio Humberto Sampaio e a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Ambos serão julgados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quarta-feira (21).
Nelson Vigolo é réu por suposta participação em uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e corrupção. Segundo as investigações, o grupo atuava para proteger os interesses de um conglomerado econômico envolvido em disputas por propriedades rurais no oeste baiano.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) aponta o repasse de R$ 1 milhão a parentes e empresas ligadas ao magistrado Sérgio Humberto. O dinheiro teria sido sacado de uma conta do empresário pelo advogado Júlio César. De acordo com a investigação, o pagamento teria como objetivo fazer com que o juiz se declarasse suspeito e deixasse de proferir decisões desfavoráveis aos interesses empresariais de Vigolo.
Em 2024, três anos após os fatos mencionados na investigação, o empresário firmou um acordo de delação premiada e se comprometeu a devolver R$ 20 milhões relacionados ao esquema de compra de sentenças.

