A Polícia Federal (PF) identificou indícios de movimentação de R$ 130 milhões em três meses em uma conta bancária do advogado e empresário Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de dívidas.
Segundo trechos da investigação obtidos e divulgados pela CNN, entre março e maio do ano passado, a conta movimentou o valor, considerado pelos investigadores aparentemente incompatível com as atividades econômicas conhecidas do advogado.
“A expressividade do montante, somada à curta janela temporal analisada, constitui elemento de interesse investigativo e reforça a necessidade de aprofundar a operação quanto à origem dos recursos”, afirma o relatório da PF.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer favorável à abertura do inquérito e ao avanço das apurações. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório também aponta uma possível incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a estrutura das empresas relacionadas a Willer Tomaz. “O padrão sustenta a hipótese de utilização dessas estruturas para dificultar a identificação da origem, do destino e do beneficiário final dos valores”, ressaltam os investigadores.
Willer Tomaz é amigo do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ). Segundo a investigação, o celular apreendido pela PF contém fotos dos dois juntos, indicando uma “relação de proximidade”, com referências a “festas, encontros e reuniões”.
O advogado também é um dos proprietários da aeronave utilizada por Flávio em uma viagem realizada em janeiro de 2025. O avião era administrado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A Polícia Federal investiga ainda a atuação de Willer Tomaz em possíveis irregularidades relacionadas a uma empresa de apostas esportivas e a suspeitas de fraude em uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

