A retomada da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, nesta sexta-feira (9), marca uma mudança nas estratégias das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno. Conforme apuração do blog do Valdo Cruz, do G1, enquanto o presidente pretende reforçar os alertas sobre as consequências de uma eventual vitória do adversário, o candidato do PL aposta em propostas voltadas ao cotidiano dos brasileiros e prepara uma resposta às críticas sobre possíveis cortes em programas sociais.
A mudança ocorre após a primeira pesquisa Datafolha do segundo turno apontar Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, em um cenário de empate técnico. No primeiro turno, o candidato do PL recebeu 47% dos votos, enquanto o petista obteve 45%.
Apesar da vantagem numérica do adversário, a campanha de Lula avalia que a disputa ainda está aberta e aposta na intensificação das ações no Nordeste e nas redes sociais para reduzir a diferença.
As mudanças na coordenação da campanha petista devem se refletir no conteúdo apresentado aos eleitores. Nos últimos dias, lideranças do PT no Nordeste passaram a integrar o núcleo central da campanha, entre elas o senador Camilo Santana (PT-CE) e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
A avaliação desse grupo é que Lula deve diminuir o espaço dedicado à apresentação das realizações de seus governos e concentrar esforços em destacar os riscos que, na visão da campanha, uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro representaria.
A estratégia já começou a aparecer nas redes sociais. Publicações da campanha petista afirmaram que uma vitória do candidato do PL poderia resultar em cortes de programas sociais. Parte desse material, no entanto, foi retirada do ar por determinação da Justiça Eleitoral. A equipe de Lula também pretende ampliar a mobilização no Nordeste, região considerada estratégica para a recuperação eleitoral do presidente.
Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro pretende manter a linha adotada no primeiro turno, com destaque para propostas relacionadas às dificuldades enfrentadas pela população. Entre os temas previstos está a redução do endividamento das famílias, apontada pela equipe do candidato como uma das principais preocupações dos eleitores.
A propaganda também deverá responder às afirmações da campanha petista sobre possíveis cortes em benefícios sociais. Para isso, a equipe de Flávio pretende recorrer a medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, especialmente ao aumento do valor pago às famílias de baixa renda às vésperas das eleições de 2022.
Outro ponto previsto é a nova composição do Congresso Nacional. A campanha do PL pretende usar o resultado das eleições legislativas para sustentar que Flávio teria melhores condições de governabilidade caso vença a disputa presidencial.

