Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) subiram o tom nesta sexta (11) e passaram a afirmar que, se um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes for julgado na sessão extraordinária, marcada para o dia 15 de setembro, sem que o mesmo aconteça com André Mendonça, não sobrará ‘pedra sobre pedra’ no debate.
Eles alegam que diversos magistrados da Corte já foram alvos de denúncias, inclusive de envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e que, se for para passar o STF a limpo, será oportuno, no mesmo dia, discutir os ‘podres’ de todos os outros que estarão presentes na sessão.
Um dos magistrados deu como exemplos as novas denúncias de envolvimento financeiro de Dias Toffoli com o Vorcaro com quem Moraes teve relações, e as revelações de que Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, recebeu recursos de uma consultoria tributária abastecida com dinheiro do Banco Master e da JBS.
De acordo com a Folha de S. Paulo, a Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 18 milhões das duas empresas, e contratou o escritório do filho do ministro por R$ 281,6 mil no período. Ele tem 25 anos.
Os mesmos ministros afirmam também que o próprio André Mendonça vai ser convidado, na sessão, a explicar em detalhes o encontro que teve com Daniel Vorcaro a pedido de um advogado, em março de 2025.
Dizem ainda que Mendonça será questionado sobre a possibilidade de abrir as contas do Iter, o instituto educacional que ele inagurou depois que assumiu o cargo no STF e que faturou R$ 4,8 milhões de contratos públicos em 2025, quando tinha apenas um ano de funcionamento.
A instituição tem contratos também com empresas privadas.
Citam ainda a relação social de Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, com Daniel Vorcaro. Ele foi ao Sambódromo do Rio de Janeiro a convite do ex-banqueiro e participou com ele de uma degustação de uísque.
“Vamos investigar todos de uma vez”, afirma um magistrado.
A única solução possível para que se chegue a um acordo mínimo entre os magistrados para estancar a crise, disseram magistrados à coluna, é o presidente da Corte, Edson Fachin, colocar em votação tanto o pedido de investigação contra Moraes por envolvimento com Vorcaro quanto o pedido de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade.
Defendem ainda que Fachin assuma a relatoria das investigações contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afastando Mendonça do caso.
André Mendonça deixou neste mês a sociedade do Iter, que afirma nunca ter distribuído lucro. Sobre o encontro com Vorcaro, ele diz que a iniciativa partiu do ex-banqueiro, que se limitou a ouvi-lo e que votou contra as posições defendidas por ele em demandas no STF.
Rodrigo Fux afirma que nunca advogou para Vorcaro.
O ministro Kassio Nunes Marques disse, na época da revelação dos repasses de uma consultoria tributária a seu filho, que não tinha relação alguma com Vorcaro.
Dias Toffoli diz, em nota, que “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e que “jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”, negando revelações feitas nesta sexta (11) pela revista Piauí.

