O ex-presidente Michel Temer (MDB) defendeu, nesta sexta-feira (14), a existência de divergências políticas no Brasil, mas criticou o que classificou como uma “radicalização de posições” entre os diferentes campos políticos. Durante entrevista coletiva após a exibição do documentário sobre os 963 dias de seu governo, realizada como parte da programação especial pelos 215 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB), o emedebista enfatizou que o problema não está na polarização de ideias, mas na transformação do debate público em uma disputa centrada em nomes.
Questionado pela editora-chefe do Aqui só Política, Cíntia Kelly, sobre a possibilidade de acabar com a polarização no Brasil, Temer afirmou que a divergência é necessária para o funcionamento da democracia. Segundo o ex-presidente, a discussão entre diferentes projetos e programas políticos contribui para o debate democrático. Ele também destacou o papel da oposição na fiscalização dos governos.
“Eu não sei se tem como [acabar com a polarização], mas eu acho fundamental, que eu não chamo de polarização. Polarização de ideias, de projetos, de programas é muito bom para o país, porque na democracia a divergência também é fundamental, como é fundamental a oposição, a oposição é para ajudar a governar, porque ela na verdade fiscaliza quem está comandando os governos”, defendeu.
Em função dessa avaliação, o emedebista afirmou que o cenário atual é marcado por uma “radicalização de posições”, em que os embates ocorrem apenas entre determinados nomes, ao invés do debate de programas e ideias.
“O que há no país é uma radicalização de posições, uma radicalização de um lado, uma radicalização de outro lado, e você vê que o embate hoje se dá entre nomes ao invés de dar-se entre programas. Eu acho que se nós caminharmos para a ideia de discutir projetos, programas, nós teremos um ato de grande civilidade política”.
Por fim, ao ser questionado se a concentração do debate em nomes poderia fragilizar a democracia, Temer foi direto na resposta:
“O debate de nomes, só nome contra nome, fragiliza”.

