O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) dedicaram a quinta-feira (22) à preparação para o debate da TV Globo, marcado para esta sexta-feira (23). Após o primeiro confronto entre os candidatos, realizado pela Band no domingo (18), as campanhas ajustaram as estratégias para tentar conquistar eleitores indecisos.
As equipes avaliam que o debate anterior reforçou principalmente as posições de quem já havia escolhido um candidato. Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21) mostrou que o percentual de entrevistados que se declararam indecisos na pesquisa espontânea dobrou em uma semana, passando de 7% para 14%.
Os dois lados também identificaram pontos a corrigir. Integrantes da equipe de Flávio afirmam que ele foi aconselhado a reduzir os confrontos diretos e dar mais espaço à apresentação de propostas. Lula recebeu orientações para evitar provocações, diminuir os improvisos e administrar melhor o tempo das respostas.
A campanha de Flávio Bolsonaro considera que o senador deve adotar um tom menos confrontador e priorizar propostas, em vez de buscar embates constantes com o presidente, como ocorreu no primeiro debate. A equipe também retirou o empresário e influenciador Pablo Marçal da preparação do candidato. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assumiu a função.
Na quinta-feira, Tarcísio e o marqueteiro Duda Lima acompanharam o senador no quartel-general da campanha, em Brasília. A preparação deve continuar nesta sexta-feira. Marçal havia treinado Flávio para o debate da Band. Aliados do senador atribuem ao empresário parte da responsabilidade pela redução da vantagem que o candidato do PL mantinha sobre Lula.
A campanha de Lula também avalia que o debate da Globo pode ter peso decisivo na eleição. A preparação começou na quarta-feira (21), com discussões entre auxiliares sobre as estratégias e os temas que o presidente deve abordar.
Segundo integrantes da equipe, o desafio é equilibrar as críticas a Flávio com a apresentação de propostas para convencer eleitores indecisos a apoiar um novo mandato do petista. A campanha pretende explorar episódios do passado e fatos recentes envolvendo o senador, entre eles sua relação com o advogado Willer Tomaz.

