A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputada Ivana Bastos (PSD), comentou sobre confirmação de chapa feita pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa e o senador Jaques Wagner, encabeçada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em entrevista ao ASP nesta segunda-feira (26), a presidente da Casa classificou como “prematuras” as discussões sobre candidatura.
Além disso, Ivana também falou sobre o futuro do senador Ângelo Coronel (PSD) após chapa anunciada por Rui e Wagner. Segundo revelou, o parlamentar tem planos para se candidatar à reeleição.
Confira entrevista:
Aqui só Política – Deputada, eu queria primeiro começar com a senhora, já que a gente está com essa polêmica da votação que teve na Câmara e teve participação do deputado Hilton Coelho na movimentação. Tem gente já se organizando para pedir algum tipo de punição ao mandato do deputado Hilton Coelho. Como é que a senhora está avaliando isso? Já chegou até a senhora alguma coisa nesse sentido?
Ivana Bastos – Olha, eu vi pelas redes sociais o que aconteceu na Câmara. Eu sou radicalmente contra isso. Eu acho que a democracia precisa ser discutida, ela precisa ser preservada. Vandalismo, eu não concordo de hipótese nenhuma. Uma das primeiras atitudes que eu tomei foi de publicar uma nota em solidariedade, em apoio ao presidente da Câmara e todos os vereadores. Eu me senti ali como foi o 8 de janeiro, né? A sensação que nós tivemos ali, que um quebra-quebra, gente mordendo a mão de vereador, nada justifica. Eu acho que os direitos, eles precisam ser respeitados, eles precisam ser discutidos, mas sem violência. Agora, quanto ao deputado Hilton Coelho, eu não recebi nenhum comunicado aqui na Casa Legislativa, não chegou nenhuma solicitação, não chegou nada para mim ainda. Eu vi há pouco o Hilton dizendo na tribuna que iriam fazer essa solicitação à Casa, mas não chegou nada aqui.
Aqui só Política – Caso ele tenha participado dos excessos da manifestação dos sindicalistas na votação do projeto de reajuste do servidor municipal, pode ensejar algum tipo de punição?
Ivana Bastos – Eu acho que precisa apurar os fatos. Nós temos lá diversas filmagens para ver até que ponto houve um parlamentar se exaltando. Eu não vi, eu não vi essa parte do Hilton. Eu vi o geral nas redes sociais. Então, para pedir o mandato de um deputado, pedir uma sindicância, pedir um conselho de ética, você precisa ter fundamentos. E até agora não chegou nada, mas a Casa está aqui inteiramente à disposição, nós somos aqui abertos, acho que o parlamento precisa ser respeitado. Eu defendo esse respeito. Agora é aguardar.
Aqui só Política – A entrevista está sendo gravada segunda-feira, dia 26 de maio, e pela manhã o senador Jaques Wagner concedeu uma entrevista à Rádio Metrópole, dizendo que ele é candidato à reeleição, Rui Costa também candidato ao Senado. E aí, nesse contexto, o Ângelo Coronel, que é do seu partido PSD, fica fora dessa chapa.
Ivana Bastos – Não, mas ele também é candidato. Ele tem dito, nós estivemos aqui na última sexta-feira, onde nós entregamos um título de cidadão baiano e uma comenda Dois de Julho ao ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Roberto Barroso. E aqui o senador Ângelo Coronel retificou o seu desejo de ser também candidato à reeleição. É um direito que o assiste. Mas eu falo que muita água há de rolar, certo? Ele pode sair candidato independente também. Então eu acho muito cedo ainda para a gente estar discutindo realmente quem vão ser os senadores da chapa majoritária. Sobre o governador, Jerônimo Rodrigues tem feito um excelente trabalho e reeleição lhe cabe. Então isso é uma coisa que não se discute. Mas se você pensar lá atrás, na candidatura depois da reeleição de Rui Costa, numa época dessa, um ano e meio antes das eleições, a gente não sabia quem era. Se dizia que poderia ser o Jacques Wagner, que poderia ser o Otto Alencar, que poderia ser o Luiz Caetano, a Moema. Tantos nomes surgiram e acabou chegando para o Jerônimo Rodrigues. Então, eu acho que é muito prematuro ainda essas discussões.
Aqui só Política – Mas a senhora acha, por exemplo, que essa declaração de Jaques Wagner, que na verdade, foi feita pela primeira vez no ano passado, foi uma antecipação da disputa de 2026? Essa antecipação é equivocada?
Ivana Bastos – Eu acho que essa antecipação, eu acho que ela ainda não está na hora certa. Eu acho que a gente tem muitos mais problemas aí pela frente para se discutir. Nós temos tantos projetos para se tornar realidade. Agora, uma coisa que eu fico muito tranquila, nós temos um grupo coeso, nós temos um grupo unido, forte. E, com certeza, esse grupo, esses cabeças desse grupo vão saber resolver quem será o candidato, quem não será. ajustar as coisas.
Aqui só Política – A Assembleia Legislativa, que faz parte de outro poder, vira e mexe aprova projetos que são do Executivo. Muitas vezes, quase na totalidade , não tem uma discussão de comissão, debates. Por que isso acaba acontecendo, deputada?
Ivana Bastos – Olha, nós recebemos diversos projetos do Executivo. Esses projetos são discutidos entre os parlamentares. Aqui, quando é caráter de urgência, nós temos o líder da maioria, que é o líder do lado do governo, e nós temos o líder da minoria, que é o líder de oposição. Com muitas discussões, os líderes dispensam as formalidades. Quando você dispensa a formalidade, você pode ir direto ao plenário. E assim a gente tem feito. A gente tem, em primeiro e em segundo turno, aprovado esses projetos por ter a consciência que são projetos benéficos para a Bahia. São projetos que a gente precisa avançar aqui na Bahia. Sobre projeto de empréstimo, a Bahia tem lastro para isso. Ela tem condições de endividamento. Ela tem condições para endividar. para pedir esse projeto. Ela não coloca em risco os baianos. Então, tudo isso é levado em conta. E aqui a gente tem projetos que são votados para serem empregados em infraestrutura, projetos para se pagar precatórios, projetos para a área de saúde. A gente tem pedido esses recursos. A Bahia passou quatro anos sem receber nenhum recurso externo. O Jerônimo chegou e é um estado adequado é um estado que tem suas contas em dia, que tem a sua responsabilidade em dia e que tem esse espaço para poder avançar.
Aqui só Política – A senhora falou de Jerônimo, e sempre se fala que ele é uma pessoa boa, mas a gente ouve reclamação de deputados, muitas vezes no off, sobre as dificuldades de audiência com ele em função das muitas viagens que o governador faz. Como está a relação entre deputados e o governador da Bahia?
Ivana Bastos – Olha, Jerônimo é um governador presente nos municípios. O Jerônimo tem ido muito aos municípios. Acho que ele já bateu o recorde de idas ao interior, se não me engano, 300 municípios. E aqui, alguns deputados questionam de não estar naquele atendimento direto no gabinete. Mas nós já fizemos uma reunião com os líderes de partido, já determinando o dia que ele vai começar a atender esses líderes, onde a gente vai poder discutir essas matérias. Mas os deputados têm se encontrado muito com ele nos seus municípios, onde ele faz questão de prestigiá-los. Se ele chega no município X, que o deputado é fulano de tal, ele prestigia esse deputado, ele atende o pedido desse deputado. Então, eu acho que nós nunca tivemos aqui na Bahia um governador tão acessível. Isso eu posso dizer até por mim mesma. Independente de eu ser presidente da Assembleia Legislativa. Eu estou aqui [na presidência] há dois meses, mas eu estou ao lado de Jerônimo desde o primeiro dia. Então, ele é um governador muito acessível, ele nos escuta, ele divide com a gente os sonhos desses municípios.
Aqui só Política – A senhora falou de datas, a senhora poderia antecipar as datas em que ele marcou com os deputados?
Ivana Bastos – Não, eu não sei datas. Depois eu posso procurar pelas bancadas, porque foi a reunião que nós intermediamos, mas com as bancadas de cada partido. E ali ficou decidido. Eu não sei a data que ficou para atender a bancada do MDB, a bancada do PSB, a bancada do Avante. Mas eu não vejo aqui na Casa nenhum aborrecimento em relação a isso com os nossos deputados.
Aqui só Política – Eu li em setores da imprensa que a senhora está cumprindo também uma função de líder do governo [o papel é do deputado Rosemberg Pinto (PT)], de facilitar a votação, de fazer o esforço para votar as matérias. Realmente isso está acontecendo?
Ivana Bastos – Não é líder de governo. Eu tenho cumprido o meu papel de líder do parlamento. E eu sempre disse que aqui a gente precisa dar uma resposta à sociedade Aqui é a Casa do Povo. Nós somos eleitos para representar o povo. E essa resposta à sociedade é você estar em plenário também. É você votar projetos de deputados, é você votar projetos do Executivo, é discutir o que acontece no país. Aqui nós temos as comissões temáticas… é você estar nas comissões discutindo o problema, por exemplo, da ponte do Rio Jequitinhonha para quem mora no extremo sul. E a gente precisa trazer essas discussões. Isso eu tenho feito. Eu ligo todos os dias para os deputados. Eu vou para o corredor da Assembleia. Eu peço quórum. Eu faço um pouco o papel de mãe atrás de filho. Mas eu faço isso muito feliz e eu vejo que o resultado está sendo muito positivo.
Aqui só Política – A senhora é a primeira mulher da história a presidir a Assembleia Legislativa da Bahia. Quais são as dificuldades que você encontra? Por ser mulher, você encontrou alguma resistência entre os homens?
Ivana Bastos – Já encontrei muita dificuldade. Hoje, não. Hoje eu vejo uma Casa tranquila, onde os deputados nos recebem com muito respeito. Às vezes você precisa dar um murro na mesa e dizer peraí, às vezes você se irrita, corta o microfone, mas o balanço final é que de tudo está com muita harmonia. Os deputados são muito solidários a essa gestão. Em 190 anos sou a primeira mulher a ocupar este lugar. Agora, todos os deputados têm mães, têm esposas, muitos têm filhas. Então, eu acho que hoje o machismo pesado não existe mais. O companheirismo, tanto da oposição como da situação, tem sido muito agradável e tem sido muito bom para mim.

