O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, propôs ao presidente da corte, Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal sejam proibidos de atuar nos gabinetes dos magistrados no tribunal.
A medida já vinha sendo defendida pelo ministro desde a escalada da crise entre o ministro André Mendonça e a direção-geral da PF, mas ganhou força após o relator do Master expor diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Atualmente, cinco delegados da PF estão cedidos ao STF, sendo dois que trabalham com Mendonça nos casos Master e INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), um com o próprio Moraes, um no gabinete do ministro Luiz Fux e mais um que atua na área de segurança.
Gilmar afirmou a auxiliares que delegados da PF que atuam junto a ministros do STF podem acabar interferindo na condução das investigações, com o objetivo de transpor novas posições na categoria ou obter algum benefício político.
Em junho, o governo Lula (PT) enviou ofícios a mais de 50 órgãos da administração pública pedindo para que policiais federais cedidos retornassem aos postos de origem. O Supremo, no entanto, foi poupado.
O decano já conversou com Fachin sobre o tema há cerca de duas semanas e deve voltar a suscitar essa questão nesta quinta-feira (3). Ambos devem se reunir para discutir a crise inédita que se abateu sobre a corte, que pela primeira vez vai decidir se abre ou não investigação contra um colega.
Fachin tem procurado os magistrados para conversas individuais. A avaliação do presidente do STF é de que a situação não tem precedentes e deve ser tratada com o máximo de prudência, visando a preservação da instituição.

