O empresário baiano Marcelo Soares Cruz, de 45 anos, que repassou R$ 2,42 milhões à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), mantém contratos de terceirização de mão de obra com administrações municipais do interior da Bahia. Os recursos foram transferidos por meio de operações via PIX, depois do primeiro turno das eleições.
Marcelo é proprietário da Genesis Inovações Empresariais e aparece na primeira posição entre os maiores doadores da campanha do senador. O levantamento foi divulgado pelo colunista Thiago Herdy, do Metrópoles, a partir de informações disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além das doações eleitorais, a atuação empresarial de Cruz chama atenção pelo volume de recursos envolvidos em contratos firmados com prefeituras baianas. Informações publicadas em diários oficiais e registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) identificam acordos da Genesis com diferentes municípios.
Entre os contratos localizados, estão R$ 14,5 milhões com a Prefeitura de Correntina, R$ 9,8 milhões em Maiquinique e R$ 13 milhões em Urandi.
O maior acordo identificado foi firmado com a Prefeitura de Guanambi, no sudoeste baiano. Assinado em fevereiro deste ano, o contrato prevê o pagamento de R$ 44 milhões pelos serviços, com duração de 12 meses. Juntos, os quatro vínculos mencionados representam R$ 81,3 milhões.
O município de Guanambi também aparece no contexto eleitoral da doação. No segundo turno, Flávio Bolsonaro recebeu 20.269 votos na cidade, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente eleito, somou 35.676 votos.
Procurado por meio de seu advogado, Marcelo Soares Cruz afirmou que os repasses à campanha ocorreram de forma voluntária, por iniciativa própria e em razão de sua identificação com a candidatura do senador.
“Marcelo respeita o resultado das urnas, reconhece o presidente eleito como presidente de todos os brasileiros e deseja que ele faça uma boa gestão do país”, informou a defesa.

