Parte dos deputados federais articula a aprovação de mudanças nas regras eleitorais ainda neste ano, aproveitando a atual composição da Câmara. Entre as propostas em discussão está a adoção do voto distrital misto, modelo que pode modificar a escolha dos parlamentares e reduzir o peso dos chamados puxadores de votos.
De acordo com apuração do blog da Julia Duailibi, do G1, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), apoia a mudança, que também tem o respaldo de partidos do Centrão, especialmente do PSD, liderado por Gilberto Kassab.
O modelo combina dois sistemas de votação. Uma parte das vagas é preenchida por candidatos eleitos diretamente nos distritos, pelo sistema majoritário. A outra é distribuída conforme a votação em listas organizadas previamente pelos partidos.
Atualmente, a eleição para deputado segue o sistema proporcional. Nesse formato, o desempenho dos partidos e de seus candidatos define o número de cadeiras conquistadas por cada legenda, considerando o quociente eleitoral. As vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro dos partidos, conforme as regras eleitorais.
Entre os interessados na alteração estão partidos que perderam cadeiras ou registraram crescimento limitado nas últimas eleições. Essas legendas apontam que o modelo atual beneficia siglas que conseguem concentrar votos em candidatos com grande desempenho individual, como o PL, que ampliou sua representação no Congresso.
PSD e MDB também identificam possíveis vantagens no voto distrital misto. Com presença expressiva nos municípios e no comando de prefeituras, os partidos poderiam ampliar a influência de lideranças locais na escolha dos candidatos que disputariam vagas de deputado em cada distrito.
Apesar da articulação para votar a proposta ainda neste ano, a resistência de PT e PL pode dificultar o avanço da mudança. As duas siglas estão entre as principais forças políticas do país em número de votos. No caso do PT, a existência de uma federação partidária também acrescenta complexidade às negociações.

