O candidato à Presidência da República, Augusto Cury (Avante), criticou, nesta quinta-feira (3), a polarização política que, segundo ele, também atinge o Supremo Tribunal Federal (STF). Sem citar nomes, o escritor defendeu que ministros e demais agentes públicos sejam submetidos aos mesmos critérios de responsabilização e deem exemplo de honestidade à sociedade.
“Toda pessoa que tem um cargo público é um empregado do contribuinte e da sociedade e tem que provar ser inocente. E, se não provar, tem que ser culpado e levado às barras da Justiça até as últimas consequências. Eu sempre dei treinamento para a Associação de Magistrados do Brasil, inclusive para o Ministério Público, e gratuitamente fiz há muito tempo, eu tenho feito isso, e ninguém deve ser isento, ninguém deve ser poupado”, afirmou Cury, segundo o G1.
A declaração foi dada durante uma palestra em uma igreja na Zona Leste de Ribeirão Preto (SP), onde Cury mora. Em entrevista após o evento, o candidato lamentou a perda de confiança da população em instituições como o STF.
“É muito triste o que está ocorrendo, é dramaticamente triste. As pessoas não estão confiando mais nas instituições”, disse o candidato, que apareceu em terceiro lugar nas intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha.
Cury já havia defendido anteriormente o fim da vitaliciedade dos ministros do Supremo e a adoção de mandatos de oito anos para integrantes da Corte.
As declarações ocorrem em meio ao aumento da tensão entre integrantes do STF após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expôs mensagens e contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na sequência, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça, no âmbito do inquérito das fake news. Na solicitação, Moraes apontou fortes indícios de improbidade, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
Cury também direcionou críticas ao ambiente de divisão política no país. Para o candidato, a polarização ultrapassou o debate entre grupos políticos e passou a afetar relações familiares e a própria capacidade de discutir política dentro de casa.
Na avaliação do escritor, problemas sociais como violência doméstica e desemprego não estão relacionados a ideologias partidárias e deveriam ocupar posição central no debate público. Ele classificou a disputa política baseada em antagonismos como uma “guerra insana de egos”.
“Eu começaria dizendo que há um Brasil só. Não há dois barcos. Nunca houve dois barcos. E que é uma mentira que nós temos que estar radicalizados e polarizados. Porque mais de 90% das dores humanas não tem cor partidária e nunca teve”, afirmou Cury.
O candidato também defendeu que a divergência seja preservada como parte do processo democrático e diferenciou esse princípio da busca por unanimidade. “Nós temos que saber que a beleza da democracia nunca esteve na unanimidade. A unanimidade só existe nas ditaduras. A beleza está na divergência.”

