Por: Alan Robert
Entendendo o ocorrido:
Nos últimos dias, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) voltou ao centro do debate público após ser alvo de acusações envolvendo o uso de verbas públicas. As denúncias falavam em contratação de maquiadores com dinheiro de gabinete e em uma suposta viagem bancada pela Câmara dos Deputados para assistir a um show da cantora Beyoncé na Europa. As alegações, compartilhadas nas redes sociais e em alguns veículos de imprensa, foram classificadas por Erika como falsas e motivadas por perseguição política e transfobia.
Na quarta-feira (25/06), Hilton usou suas redes sociais para rebater os boatos. Em Live e postagens nas redes sociais, ela negou qualquer irregularidade. “Não, meus amores, eu não contrato maquiador com verba de gabinete. Isso é simplesmente uma invenção”, declarou. Segundo a deputada, os dois servidores apontados como maquiadores foram contratados por suas competências técnicas e atuam diretamente nas atividades parlamentares, como produção de relatórios, participação em comissões e atendimento à população. O fato de, ocasionalmente, também a maquiarem, não configura desvio de função.
Sobre a viagem à Europa, Erika afirmou ter participado de compromissos oficiais em Lisboa e Paris a convite do Parlamento Europeu, com autorização da Câmara. Após os eventos, aproveitou dias livres para assistir ao show da Beyoncé com recursos próprios. “Aproveitei com o meu dinheiro […] realizei um sonho pessoal”, disse.
A polêmica em torno da deputada se intensificou com a publicação de uma matéria no portal Metrópoles, que sugeria que Erika teria sido ressarcida pela Câmara por um procedimento estético. A deputada classificou a reportagem como mentirosa. “Enviei TODOS os documentos que provam que isso é uma MENTIRA”, escreveu. Em outra publicação, desabafou: “Tudo isso é evidente perseguição, uma tentativa de desmoralizar. Uma ação ridícula, coordenada para me jogar e jogar meu trabalho na merda.”
Por que Érika Hilton incomoda tanta gente?
Aqui entre nós, meus caros leitores, como jornalista e jovem observador político que sentiu a necessidade de comentar sobre os ocorridos, registro a preocupação com o caminho que parte da cobertura midiática tem tomado. Não digo só do portal Metrópoles, mas de vários outros veículos de comunicação. Estamos na era em que a apuração deixou de ser prioridade, e a pressa para publicar ganha mais espaço do que o cuidado com os fatos. A comunicação se tornou uma faca de dois gumes: pode informar ou destruir. Quando se trata de figuras públicas como Erika Hilton, travesti, negra e deputada de esquerda, qualquer ruído pode se transformar em munição para ataques políticos e preconceituosos. Isso vale também para todo e qualquer tipo de informação falsa que é espalhada tanto pela esquerda quanto pela direita para desmoralizar, direta ou indiretamente, tal candidato. Onde vamos parar com tanta desinformação?
Hilton é um símbolo para muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+. Sua presença no Congresso Nacional rompe barreiras e incomoda. Em momentos de polarização, a tentativa de rotular, descredibilizar e transformar adversários em inimigos é uma prática comum, mas extremamente perigosa. Erika incomoda porque representa avanço, diversidade e mudança. E em tempos de disputa eleitoral, essa mudança passa a ser combatida por aqueles que lucram com o atraso.

*Alan Robert é jornalista, formado pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – UNIFTC. Seu primeiro contato com a política foi por meio do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia. – ASSUFBA. Atualmente, atua como jornalista de entretenimento e política nos portais Alvo dos Famosos e Aqui Só Política com Cintia Kelly.

