O ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), acusou, nesta quinta-feira (13), a Concessionária Dois de Julho, responsável pela Ponte Salvador-Itaparica, de cometer uma suposta irregularidade eleitoral com a divulgação de peças publicitárias sobre o empreendimento. Segundo ele, medidas nas áreas eleitoral e criminal deverão ser apresentadas até sexta-feira (14).
As queixas de Neto foram direcionadas às propagandas sobre a construção da ponte que estão espalhadas por Salvador. O candidato afirmou que as peças utilizam fotografias e elementos visuais semelhantes aos empregados anteriormente pelo Governo da Bahia na divulgação do projeto e questionou a publicação do material durante o período eleitoral.
“Eu queria denunciar um crime eleitoral que está sendo cometido pelo consórcio em relação à Ponte. Nós vamos dar entrada até amanhã com diversas medidas legais e policiais contra essa propaganda. Vocês podem ver que até as fotos se parecem com a propaganda que era feita pelo governo do Estado. Nós estamos num período em que é vedado qualquer tipo de propaganda sobre obras públicas”, disse durante entrevista à imprensa pouco antes de participar da sessão especial em homenagem aos 215 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB), na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

Durante a declaração, o candidato também colocou em dúvida a origem dos recursos empregados na campanha publicitária e afirmou que os custos seriam arcados pelos contribuintes. Para o ex-prefeito de Salvador, a divulgação poderia influenciar a opinião dos eleitores durante o período eleitoral.
“Veja o absurdo. Quem está pagando essa conta? Essa conta está sendo paga pelos baianos, pelos contribuintes. Então, o consórcio, inclusive, mostra um viés de ação eleitoral, de tentar intervir no processo eleitoral, o que é gravíssimo. Nós vamos pedir uma investigação criminal, além da investigação eleitoral. Todas as medidas serão tomadas para que este abuso e este flagrante desrespeito às normas que vedam qualquer tipo de propaganda pública sejam adotadas o quanto antes. Não tem uma estaca batida e a cidade está cheia de outdoor e eles estão gastando rios de dinheiro que é do contribuinte, e eu quero que o consórcio se manifeste porque nós vamos pedir, se necessário, investigação criminal para entender o que está por trás disso”, declarou.
Neto também voltou a afirmar que, caso seja eleito governador, pretende investigar os contratos e informações relacionadas à Ponte Salvador-Itaparica. Segundo ele, o objetivo é esclarecer aspectos do projeto que, em sua avaliação, ainda não foram apresentados à população.
“Nós vamos abrir a caixa preta da ponte para avaliar exatamente o que é que foi feito e que não é conhecido da população e do cidadão. Um exemplo mais claro e contundente disso tem a ver com essa decisão por último do consórcio de alterar o projeto, de ter que ampliar o vão em 200 metros, para dizer, a essa altura do campeonato, depois de 20 anos, que há problemas técnicos, que o projeto precisa ser modificado para permitir que dois navios possam passar ao mesmo tempo”, disse.
Por fim, o candidato afirmou ainda que o governo já destinou mais de R$ 900 milhões ao projeto e voltou a questionar o andamento do empreendimento. “E nós não sabemos quanto à questão jurídica, quanto à questão técnica e quanto à questão econômica. Então eu quero a ponte, eu sou defensor da ponte, eu pretendo trabalhar para que a Bahia tenha a ponte, mas não essa ponte que a gente vê surpresas a cada hora, alterações no projeto depois de tantos anos”, frisou.

