Integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que o governo aproveite os últimos dois meses do ano para avançar em pautas de interesse do Planalto. A avaliação é que as propostas podem enfrentar mais resistência na próxima legislatura, eleita neste ano.
Entre as prioridades estão a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, a indicação de um nome para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a elaboração de um Orçamento que contemple compromissos assumidos durante a campanha.
Integrantes do Centrão também pretendem aproveitar o período para discutir mudanças no sistema eleitoral, a redução da maioridade penal e uma possível reforma do Judiciário.
Na avaliação de um líder governista, a gestão Lula terá ao menos duas fases. A primeira começa nesta semana e segue até 4 de janeiro, véspera da posse do novo mandato, segundo o relato.
“Ele [Lula] tem que fazer coisas que não conseguirá fazer com facilidade na próxima legislatura, tem que cumprir promessas agora. Pilotar o controle das Casas Legislativas”, afirma um líder da base governista ao G1.
A estratégia inclui a manutenção de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) nas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente.
Os dois apoiaram a campanha de Lula e, segundo a avaliação relatada, também buscaram se proteger diante do crescimento do PL. Motta e Alcolumbre podem enfrentar candidaturas da direita na disputa pelo comando das Casas, marcada para fevereiro de 2027. No Senado, um dos nomes citados é o do senador Rogério Marinho (PL-RN).
Com o apoio do Planalto, Motta e Alcolumbre teriam instrumentos para fortalecer suas candidaturas, incluindo a liberação de emendas parlamentares e a distribuição de cargos.
A manutenção dos atuais presidentes é considerada parte da estratégia do governo para preservar espaço de negociação no Congresso antes da chegada dos novos parlamentares.

