O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia não participar do último debate presidencial antes do primeiro turno, promovido pela TV Globo na quinta-feira (1º). Nos bastidores, segundo apuração da CNN Brasil, aliados reconhecem que a ausência deve transformar o petista em alvo dos adversários durante o programa, mas avaliam que o impacto eleitoral não seria “fatal” e apostam que parte dos ataques também será direcionada a Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão ainda não foi comunicada oficialmente à emissora. Lula deve apresentar uma resposta definitiva nesta terça-feira (29), mas integrantes de sua campanha ouvidos pela CNN afirmam não enxergar, neste momento, possibilidade significativa de mudança de posição.
Dentro do QG petista, o cálculo leva em consideração tanto os efeitos negativos de deixar o púlpito vazio a três dias da votação quanto os riscos de participar de um confronto no qual Lula poderia concentrar críticas dos demais candidatos.
Aliados de Lula trabalham com a avaliação de que o presidente será alvo mesmo sem comparecer ao estúdio, repetindo uma dinâmica registrada em outros debates desta campanha. No primeiro encontro entre os presidenciáveis, promovido pela Band em agosto, Lula e Flávio não participaram e foram criticados pelos candidatos presentes.
A estratégia da Globo deve tornar a ausência ainda mais visível. Pelas regras definidas para quinta-feira, os candidatos presentes poderão fazer perguntas diretamente a um adversário que não tenha comparecido. Nesse caso, a emissora exibirá o púlpito vazio e identificará o presidenciável ausente.
Flávio confirmou que pretende participar do encontro e cobrou publicamente a presença de Lula. A movimentação foi interpretada pelo entorno do presidente como uma tentativa de pressioná-lo a comparecer. A campanha petista avalia ainda que o senador tenta evitar um cenário no qual Renan Santos (Missão) seja incluído no debate.
Inicialmente, a Globo convidou quatro presidenciáveis: Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). O critério utilizado foi o previsto na legislação eleitoral, que assegura convite aos candidatos de partidos ou federações que tenham alcançado a representação parlamentar exigida pela lei.
Renan não atende a esse critério obrigatório. A emissora, entretanto, informou às campanhas que poderá convidar um substituto em caso de ausência de um dos quatro participantes inicialmente chamados.

