Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram acesso a documentos enviados pela Policia Federal (PF) que revelam contratos no valor de R$427 milhões com um grupo identificado como “Turma do KN”. Segundo a PF, as siglas KN podem estar relacionadas ao ministro Kássio Nunes Marques.
Segundo as mensagens encontradas, o valor seria pago em caso de sucesso nas ações de interesse do ex-banqueiro Daniel Vocaro em tribunais superiores que poderiam gerar R$8,5 bilhões em precatórios.
A troca de mensagens reveladas pela coluna de Andreza Matais, do site Metrópoles, os assessores de Vorcaro chamavam de a “Turma do KN” o desembargador Newton Ramos (TRF-1), e a mulher dele, a advogada Camilla Ramos. Newton seria um mediador entre Kássio Nunes e Vorcaro, responsável por levar informações sobre hospedagens e atualizações do caso dos precatórios.
As mensagens trocadas por meio do aplicativo whatsapp também revelam que o escritório de advocacia da mulher do desembargador (Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia) já havia sido contratado pelo Banco Master, com os honorários de R$ 427 milhões em caso de êxito. Para quitar esse valor com a esposa de Newton, Vorcaro contava com o valor de 8,5 bilhões dos precatórios.
Para receber a quantia bilionária, o Vorcaro precisava agilizar julgamentos e convencer juízes a concordar com os pagamentos. Neste contexto, o ex-banqueiro chegou a integrantes da Segunda Turma do Supremo, onde uma decisão delimitaria todos os demais julgamentos a respeito de precatórios de usinas de cana-de-açúcar.
Em uma das mensagens, Camila Ramos chega a comemorar o voto de Kássio Nunes no julgamento. “É um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização”, escreveu.
Kássio Nunes, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram por reconhecer o débito, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça discordaram e foram vencidos em uma discussão. Um detalhe neste julgamento é que KN havia se declarado impedido, mudando de ideia em seguida. O mesmo aconteceu com Toffoli, que, no julgamento anterior, havia votado contra e posteriormente alterou sua decisão.
As conversas extraídas do celular do ex-banqueiro constam no HD enviado pela PF ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, relator do Caso Master, no mês de julho.
Os demais ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes pediram acesso à íntegra do arquivo na última semana, diante de suspeitas de que Mendonça tinha foco somente em Alexandre de Moraes, ignorando os supostos envolvimentos de outros ministros da Corte. Porém, Mendonça negou o direcionamento.

