Por: Alan Robert
A repercussão da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), movimentou o cenário político baiano, mas não gerou manifestações públicas imediatas dos principais adversários do petista. O portal Aqui Só Política apurou as redes sociais de ACM Neto, Angelo Coronel, João Roma e Zé Cocá e não encontrou publicações dos políticos sobre a investigação envolvendo o Banco Master.
O silêncio chama atenção pelo peso político dos envolvidos no episódio. Jaques Wagner é líder do governo no Senado e pré-candidato à reeleição neste ano, enquanto ACM Neto disputa o Governo da Bahia, Zé Cocá a vice e Angelo Coronel e João Roma também estão na corrida por uma vaga no Senado.
Nos bastidores, a cautela em torno do caso já vinha sendo comentada. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, os grupos ligados a ACM Neto e ao senador petista teriam construído um entendimento para evitar que o caso envolvendo o Banco Master ganhasse espaço na disputa eleitoral deste ano. A avaliação entre aliados seria de que a exploração do tema poderia gerar desgaste para os dois lados, já que integrantes dos dois grupos políticos apareceram relacionados ao episódio.

Nomes da oposição citados
Além de Wagner, o caso Banco Master também já havia alcançado nomes ligados ao grupo de oposição na Bahia. ACM Neto foi citado após uma empresa ligada a ele receber R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag Investimentos. Na ocasião, o ex-prefeito afirmou que os valores eram referentes a contratos de consultoria realizados de forma regular, com serviços prestados, recolhimento de impostos e encerramento dos pagamentos após a conclusão dos trabalhos.
João Roma também teve o nome relacionado ao caso após reportagens apontarem uma suposta proximidade com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e um dos alvos da Operação Compliance Zero. O presidente do PL na Bahia negou envolvimento nas investigações e afirmou que a tentativa de ligá-lo ao episódio seria uma estratégia política de adversários.
O senador Angelo Coronel não possui relação direta com as investigações envolvendo o Banco Master. O nome citado no caso foi o do deputado federal Diego Coronel (PSD-BA), filho do senador, que teria aparecido na agenda de um celular de Daniel Vorcaro apreendido pela Polícia Federal. Até o momento, não há prova, acusação formal ou indício de transação financeira que ligue Diego Coronel aos desvios investigados no caso.
Após a deflagração da operação, Jaques Wagner se manifestou na tarde desta quinta-feira (18) e negou ter recebido recursos do Banco Master ou do empresário Augusto Lima. O senador afirmou estar tranquilo em relação às investigações e declarou não ter “nada a esconder”.
O portal Aqui Só Política entrou em contato com Angelo Coronel, João Roma e Zé Cocá para saber se os políticos pretendem se manifestar sobre a operação e quais motivos levaram à ausência de posicionamentos públicos até o momento. A reportagem também buscou entender se a decisão está relacionada a uma estratégia política diante da disputa eleitoral deste ano.
Alan Robert é jornalista, formado pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – UNIFTC. Seu primeiro contato com a política foi por meio do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia – ASSUFBA. Atualmente, atua como jornalista de entretenimento e política nos portais Alvo dos Famosos e Aqui Só Política com Cintia Kelly.

