Por Anderson Luis
Na sessão ordinária da Câmara Municipal de Salvador desta segunda-feira (29), os vereadores Cris Correia (PSDB), Silvio Humberto (PSOL) e Sandro Filho (PP) debateram sobre violência nas unidades escolares da capital.
Cris Correia iniciou o assunto ao fazer referência a dois episódios envolvendo agressão na escola Alfredo Amorim, ocorridos na semana passada. A parlamentar detalhou que, em ambos os episódios, houve o uso de arma branca durante briga entre alunos.
“Esses momentos de violência, infelizmente, ainda fazem parte do nosso cenário nas escolas. O que não deveria acontecer, porque esses deveriam ser ambientes seguros para as nossas crianças”, comentou a parlamentar.
A vereadora também ressaltou que essas ocorrências não são fatos isolados e que estão acontecendo em redes municipais de todo o Brasil. Além disso, Cris defendeu a institucionalização da Patrulha Escolar, um projeto criado pela prefeitura de Salvador em 2023 para coibir atos violentos nas unidades de ensino.
“Hoje eu dei entrada em um projeto de lei para a institucionalização da Patrulha Escolar, para que possa ser feito aquilo que já vem sendo executado com a Patrulha Maria da Penha, que é de extrema importância no combate à violência contra as mulheres. E é isso o que a gente deseja também, que essa Patrulha Escolar tenha sua sede e mecanismos próprios, qualificação para a parcela dos guardas municipais que vão estar trabalhando exclusivamente nessa patrulha”, concluiu.
Na sequência, Sandro Filho se manifestou ao parabenizar o Projeto de Lei n° 4.758/2025, do deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), que pretende privar o recebimento de benefícios sociais — incluindo o Bolsa Família — para estudantes envolvidos em episódios de violência em escolas em todo o país e incentivou a aplicação da medida como punição alternativa para menores de idade.
“É extremamente importante que os professores sejam valorizados e violência na sala de aula precisa ser penalizada. Se o jovem não pode ser preso pela maioridade penal, a gente precisa punir a família, porque escola é um lugar de ensino, lugar de educação é dentro de casa”, avaliou Sandro.
Em resposta, o parlamentar Silvio Humberto expressou repúdio à fala de Sandro e classificou como “injusta” e “irracional” a proposta que pretende punir os núcleos familiares em virtude de atos violentos nas escolas.
“É um absurdo qualquer projeto que penalize as famílias, elas já têm muitas dificuldades para cuidar de seus filhos. Vivem em situação de vulnerabilidade e, por conta disso, seus filhos são cooptados pelas infrações diversas. E não é justo que, pela infração de um filho, toda a família seja punida. […] A gente precisa fazer um esforço para salvar as nossas crianças em situação de vulnerabilidade e não condená-las ao ostracismo, um projeto como esse está fora de qualquer racionalidade.”

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

