Por Alan Robert
Nos últimos meses, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e nos bastidores políticos do país tem sido o possível fim da escala 6×1. Enquanto trabalhadores enxergam a proposta como um alívio na rotina exaustiva de trabalho, representantes de alguns setores da economia demonstram preocupação com os impactos da mudança. Para entender melhor as perspectivas econômicas, empresariais e trabalhistas envolvendo a PEC, o Portal Aqui Só Política ouviu parlamentares, especialistas e entidades ligadas ao comércio e aos trabalhadores.
Na avaliação da deputada federal Lídice da Mata, a redução da jornada pode, inclusive, abrir novas oportunidades de emprego em áreas que funcionam de forma contínua. “Tem muita gente que acha que isso pode ajudar a economia, gerando mais empregos na medida que você tenha, em algumas áreas que são de trabalho ininterrupto, você pode abrir uma nova turma de trabalho. E já tem algumas empresas começando a praticar isso, começando a dar dois dias de descanso e a contratar gente para cumprir os que saem naquele dia de descanso”, afirmou.
A possibilidade de adoção de uma escala 5×2 também é vista de forma positiva pelo economista e presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), Edval Landulfo. Segundo ele, a mudança pode trazer impactos não apenas na produtividade, mas também na saúde física e mental dos trabalhadores. “O descanso de dois dias consecutivos permite uma recuperação física e mental mais completa do que escalas com folgas intermitentes, como a atual 6×1”, destacou.
Para o especialista, a redução da jornada também pode influenciar diretamente no desempenho das empresas e no próprio mercado de trabalho. “Funcionários com períodos de descansos regulares tendem a faltar menos por motivo de saúde ou fadiga crônica”, explicou. Edval Landulfo ainda avalia que setores que funcionam em regime contínuo poderão precisar ampliar o número de contratações para atender às novas escalas de trabalho, o que pode gerar novos postos de emprego a médio e longo prazo.
Setor empresarial demonstra preocupação
Representantes do setor produtivo avaliam que a mudança pode trazer impactos significativos para empresas que dependem de funcionamento contínuo, sobretudo nos segmentos de comércio, serviços e turismo.
O presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, afirmou que a adoção obrigatória da escala 5×2 pode aumentar os custos operacionais das empresas e gerar reflexos no mercado formal de trabalho. “A mudança tende a gerar mais prejuízos do que benefícios sistêmicos, caso não seja acompanhada de aumento de produtividade e mecanismos de flexibilidade”, avaliou.
Segundo Kelsor Fernandes, apesar da importância do debate sobre qualidade de vida do trabalhador, existe preocupação com possíveis efeitos econômicos da proposta. “Para as empresas, os riscos incluem elevação significativa de custos, fechamento de pequenos negócios e redução da oferta de empregos formais. Para os trabalhadores, embora a escala 5×2 possa significar mais dias de descanso, esses ganhos podem ser neutralizados caso haja diminuição na oferta de vagas formais, avanço da informalidade ou repasse de custos aos preços, reduzindo o poder de compra da população”, pontuou.
Perspectiva sindicalista: o que pensam os trabalhadores?

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador, Renato Ezequiel, a redução da jornada de trabalho é vista de forma positiva pelos trabalhadores e pode representar ganhos diretos na qualidade de vida e até na produtividade. “Os trabalhadores enxergam a redução da jornada de trabalho como uma plataforma positiva para a vida dos trabalhadores, e nós costumamos dizer que menos é mais. Quanto menos é trabalhado, mais produção”, afirmou.
Segundo ele, a mudança também amplia o tempo disponível para lazer, convivência familiar e formação profissional, fatores que impactam diretamente o bem-estar da categoria. O sindicalista também chama atenção para os efeitos da rotina atual na saúde dos trabalhadores, especialmente mental, destacando que cerca de 560 mil pessoas estão afastadas no Brasil por esse motivo. “A carga excessiva, a carga exaustiva de trabalho, as metas a serem cumpridas estão adoecendo a categoria”, disse.
Para o dirigente, a redução da jornada não prejudica a economia e pode até fortalecer a produção. “Essa redução da jornada de trabalho não vai atrapalhar a economia, muito pelo contrário, vai melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e estimular mais ainda a produção”, concluiu.
Alan Robert é jornalista, formado pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – UNIFTC. Seu primeiro contato com a política foi por meio do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia – ASSUFBA. Atualmente, atua como jornalista de entretenimento e política nos portais Alvo dos Famosos e Aqui Só Política com Cintia Kelly.

