Por Anderson Luis e Eduardo Costa
O pré-candidato ao governo e presidente do PSOL baiano, Ronaldo Mansur, afirmou durante a convenção estadual da Federação PSOL-Rede, nesta sexta-feira (24) no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador, que não há possibilidade de repetir a aliança de 2022 com o PT.. Em discurso, ele destacou que o PT e o Carlismo revezam o poder no estado há mais de 50 anos.
“Não dá para um grupo que está aí há 50 anos. Porque o PT e o carlismo governam a Bahia há 50 anos. Eles são os responsáveis pelos índices críticos na área da saúde, na área da educação, na área da segurança pública e na ausência de infraestrutura. Os dois grupos, o PT que governou e governa por 20 anos e o grupo carlista de ACM Neto que governou por 30 anos. Então, toda essa tragédia que nós temos no Estado deve-se ao grupo do ACM Neto e ao grupo do Jerônimo Rodrigues”, declarou.
Mansur reconheceu que existe unidade com o PT nos movimentos sociais e no Congresso, mas foi enfático ao descartar uma aliança com a sigla, mesmo após o apoio no segundo turno das eleições de 2022.
“A unidade com o PT nos movimentos sociais, no sindicato, na luta, no Congresso Nacional, existe. Agora é claro que também nós temos divergência. Assim como em 2022 não foi possível caminharmos em uma chapa, em 2026 também não foi possível. Nós apoiamos o candidato que é atual governador no segundo turno de 2022, mas, infelizmente, não foi possível caminharmos juntos em 2026. E faz parte da democracia.”
O pré-candidato listou as principais divergências com a gestão petista, citando áreas como segurança, educação e patrimônio público.
“Nós temos diferenças na administração no Estado, na questão do ‘entreguismo’ do patrimônio público da Bahia. A nossa educação tem alcançado índices muito aquém e o governo não cumpriu com a promessa de campanha de 2022. Cadê as câmeras de segurança nos policiais militares? A questão que ele disse que iria zerar a fila da regulação. Dentre tantas outras, a Bahia hoje está entregue ao crime organizado e o governo não teve coragem, não teve política de segurança para combater a criminalidade. Infelizmente hoje, o que era localizado apenas em Salvador e região metropolitana está infelizmente espalhado por todo o território, que é o crime. E nós vamos organizar o Estado da Bahia”, afirmou.
O PSOL apoiou Jerônimo na Bahia em 2022 porque era o “menos pior”
Mansur explicou também que o apoio a Jerônimo no segundo turno de 2022 foi uma escolha pragmática, e não uma adesão política.
“Se nós tivéssemos de aderir à gestão do PT, nós teríamos aderido em 2022 quando nós apoiamos a candidatura do atual governador no segundo turno. Nós apoiamos [o governador Jerônimo Rodrigues] porque era o ‘menos pior’. Isso não significa que a gente acha que ele seria ‘às mil maravilhas’, tanto que nós continuamos com a nossa independência na Assembleia Legislativa, com o nosso deputado estadual, Hilton Coelho, fazendo o enfrentamento. Então não existe a menor possibilidade de adesões futuras.”
O pré-candidato destacou a atuação independente do PSOL na ALBA, citando ações contra a reeleição de Adolfo Menezes, contra a privatização da Embasa e contra a chamada Lei da Bíblia, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nós temos independência e independência não significa anarquismo e esquerdismo na Assembleia Legislativa. Nós tivemos total independência entrando com a ADIN contra a reeleição do Adolfo Menezes, entrando com a ADI contra a privatização da Embasa, entrando com a ADI contra a chamada Lei da Bíblia e tantas outras ações políticas que o PSOL e a Rede de Sustentabilidade entraram criticando essa gestão. Então nós temos liberdade para criticar o governo. Nós temos uma independência. Uma independência que significa que baianos e baianas administram a Bahia”, concluiu.

Anderson Luis é um estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Já atuou como pesquisador para o Atlas da Noticia e atualmente é estagiário do Aqui Só Política com Cintia Kelly.

Eduardo Costa é jornalista formado pela Unifacs. Atua como jornalista político no MundoBA e no Aqui Só Política.

