Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador Otto Alencar (PSD-BA) admitiu ter conversado por telefone “duas ou três vezes” com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Segundo ele, os contatos ocorreram entre o fim de 2024 e o início de 2025, após assumir a presidência do colegiado no Senado.
Ao Metrópoles, Otto disse que as conversas foram intermediadas pelo advogado Ciro Soares, que à época representava Vorcaro. O assunto, segundo o senador, era a possibilidade de apresentação de uma emenda de autoria de Ciro Nogueira (PP-PI) à PEC que tratava da autonomia orçamentária e financeira do Banco Central.
A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por correntista. A chamada “Emenda Master” acabou não sendo incluída no texto final da proposta.
No entanto, Otto disse que nunca apresentou ou incluiu a medida. Segundo ele, Ciro Soares teria entrado em contato para tratar do assunto.
“O que ocorreu foi que o Ciro ligou para mim, e eu conversei com ele sobre a emenda. Nunca cogitei apresentar ou incluir essa proposta”, declarou.
O senador disse ainda que a tramitação da emenda pode ser esclarecida pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que era o relator da matéria na CCJ.
“Naquele momento, ninguém tinha ideia de que existiam todos esses problemas”, disse.
A declaração de Otto ocorreu após a divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pelo O Globo, o banqueiro teria se referido ao senador baiano como “conselheiro” e “comandante” em conversas.

